Carnaval de Paraitinga na Capital

Na esteira de uma catástrofe, a dinâmica produção cultural de São Luiz do Paraitinga ganha mais evidência na Capital. Nesta semana, a música, as danças, as artes visuais e outras manifestações populares da cidade do Vale do Paraíba - que foi arrasada por uma absurda inundação no último réveillon, mas vem se reerguendo otimista - estão em três eventos em São Paulo. A jovem banda Estrambelhados está em todos. Tinha show programado para ontem no Sesi, toca amanhã no Memorial da América Latina e sábado na Virada Cultural. À parte serem eventos de ordem solidária, são boas oportunidades para se ter uma panorâmica da produção luizense, em especial da música, que é seu forte.

Entrevista com

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

Paratinga Corpo e Alma, no Memorial, além das marchinhas dos Estrambelhados e de Barone e a Loucomotiva Cabereca, terá grupos de outros estilos: Sílvio Oryn e banda (MPB), as duplas Loro e Lucas, Jonca e Juca e César e Cisco, envolvidos com ritmos regionais, como Nelsinho Mato Dentro, Los Canteros (dança do sabão e do caranguejo), Seu Renô Martins (dança de São Gonçalo) e Grupo de Violeiros Rio Abaixo (moda de viola). Tom Zé, protagonista de um dos shows mais bem-sucedidos na Semana da Canção Brasileira - que parte para a quarta edição em São Luiz - faz participação especial. Toda a renda será revertida para os artistas da cidade.

João Rafael, violonista dos Estrambelhados com mestrado em História na USP, diz que a banda se propõe, desde sua formação em 2003, a pesquisar a cultura de São Luiz. "Como somos uma banda de jovens, a gente dá uma releitura mais contemporânea, sempre com o cuidado de manter o pé nas tradições. Isso tem dado certo", conta.

Frequente no circuito cultural paulista, ele reconhece que com a catástrofe, os artistas acabaram "entrando mais na mídia e teve um movimento de ajudar a cidade". "A gente que trabalha na área cultural vem percebendo um crescimento de exposição da cidade de alguns anos para cá. Eventos como o carnaval e a Semana da Canção têm contribuído pra isso, mas a enchente com certeza chamou mais a atenção para o Brasil inteiro. Junto com a notícia ruim veio a boa", diz João. Nos shows, os rapazes tocam temas tradicionais, como a famosa Casinha Branca (Elpídio dos Santos), com novos arranjos, e composições autorais de seu CD de estreia, Folias (2008).

A Virada Cultural vai ter um palco só com as bandas de São Luiz tocando marchinhas carnavalescas, no Largo da Misericórdia, perto da Praça da Sé. Os Estrambelhados abrem a programação às 18 horas do sábado, seguidos pelo Grupo Paranga (20h) e outros. A Família Santos, do célebre compositor Elpídio dos Santos, toca às 15 h do domingo e a Charanga do Quadô fecha o carnaval a partir das 17 h.

Com oficinas de bonecos gigantes, contação de histórias, literatura de cordel, feira de artesanato, leilão beneficente e shows musicais, Paraitinga em São Paulo, no Sesi (Av. Paulista, 1313, tel. 3146-7405/7406) prossegue até amanhã com entrada franca. No início da tarde toca hoje o Grupo de Violeiros Rio Abaixo, amanhã é a vez do cantor revelação Camilo Frade, de 13 anos.

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