Carnaval da São Clemente debocha com Congresso

Uma visita do presidente da Câmara dosDeputados, João Paulo Cunha (PT-SP) no sábado, ao barracão e àquadra da escola de samba São Clemente, no Rio, tentará amenizara crítica que a agremiação faz ao governo federal. Com o enredoBoi Voador sobre o Recife - o Cordel da Galhofa Nacional, aescola traz, em seu sexto carro alegórico, uma escultura do TioSam, símbolo dos Estados Unidos, sentado sobre o CongressoNacional, como se estivesse numa latrina. A dois meses e meio do carnaval, os deputados jáprotestam e um deles, Carlos Santana (PT-RJ), veio ao Rio parademover o carnavalesco Milton Cunha e a direção da São Clementede colocar o carro em seu desfile, que abre o carnaval do GrupoEspecial no domingo, 22 de fevereiro. João Paulo Cunha precisará de bons argumentos porque, seo vice-presidente da São Clemente, Ricardo Gomes, fala emconsenso para manter a crítica sem melindrar o Congresso, MiltonCunha garante que sai com o carro, uma réplica em três dimensõesde uma charge de Chico Caruso publicada em 1992. "O enredo é umacrítica às promessas não cumpridas e aos desmandos no Brasildesde os tempos de Maurício de Nassau", explica o carnavalesco."O carro interpela os governantes que falaram mal do FundoMonetário Internacional (FMI) durante a campanha eleitoral eagora cumprem todas as ordens deles. Se eles quiserem tirar,devem me dar outra opção para o lugar." Até agora as conversas têm sido informais, mas MiltonCunha não aceita interferências externas. "O carnaval é deboche,um campo de idéias e se deixar esse espírito de lado, vira umavitrine", teoriza ele. Outros enredos já tiveram problemas com aIgreja Católica- o Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta, naBeija-Flor, em 1989, e a Nossa Senhora, de Laíla, na mesmaescola, no ano passado -, mas Milton Cunha nunca criou pôlêmicasna passarela. No ano passado, ele estava na Unidos da Tijuca, com"Agudás", sobre os africanos que voltaram para a África após ofim da escravidão do Brasil e, em 1995, fez sucesso, naBeija-Flor, ao levar cantores líricos para o sambódromo, numenredo que homenageava a cantora Bidu Sayão.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2003 | 18h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.