Carmela Gross põe visitante dentro do seu "Hotel"

O vocabulário utilizado por Carmela Gross na exposição Hotel, que ela mostra no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, não poderia ser mais simples: luz, espelhos e uma base deslizante que se move à semelhança daquelas utilizadas no cinema para filmar travelings. A palavra Hotel, escrita nas duas paredes da galeria (no sentido correto do lado direito, num jogo esparso de elegantes retângulos luminosos e de forma espelhada do lado esquerdo, numa clara ironia com os espelhos utilizados) é mais um indício de que o interesse de Carmela está em trabalhar com o lugar da ausência.A palavra, o movimento, a luz, estão presentes de longa data em trabalhos como Eu Sou Dolores e no vídeo feito com Luís Duva para evento no Itaú Cultural, no qual a artista revela seu fascínio com a velocidade luminosa de São Paulo. Mas é impressionante o contraste entre a obra totalizante e absolutamente concisa apresentada agora e o monstruoso Comedor de Luz, uma parafernália de lâmpadas e fios que ela mostrou em sua última exposição individual, realizada em 1998 na mesma galeria. Quando se entra no amplo corredor do Gabinete de Arte, a experiência de ver-se refletido em pedaços sem ter uma visão íntegra de si mesmo, associada à sensação desestabilizadora e um tanto melancólica - mesmo que lúdica - criada pelo movimento e pelo reflexo das luzes, traz a pessoa para dentro do trabalho. Carmela Gross. De segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas; sábado, das 11 às 14 horas. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, tel. 3083-6322. Até 4/10

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