Divulgação
Divulgação

Carlos Vereza volta às telas no filme 'Um Homem Qualquer'

Aos 73 anos, ator estrela longa, está em sua 36ª novela, mantém blog e ainda se dedica à direção

FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo,

31 de agosto de 2012 | 03h12

Carlos Vereza é um dos atores mais icônicos da TV. Famoso por papéis como o Francisco de Montserrat de Direito de Amar (de 1987) ou o Augusto do remake de Sinhá Moça (de 2006), entrou na TV Tupi aos 20 anos e nunca mais parou. Aos 73 anos, mantém-se na ativa e está atualmente no ar com sua 36.ª novela, Amor Eterno Amor. Sua presença também se faz notar na internet. Vereza mantém seu blog (www.carlosvereza.com) com regularidade e diariamente dispara em seu twitter declarações acaloradas sobre os mais variados temas, principalmente política.

O mesmo não se pode dizer do cinema, em que sua presença se revela intermitente. Ator de pouco mais de uma dezena de filmes, Vereza, que ganhou reconhecimento nacional no Festival de Cannes de 1984 com Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, já passou longas temporadas longe das telas. "Depois de Memórias, fiquei 11 anos sem filmar. Estou feliz que um novo filme esteja chegando aos cinemas", diz o ator.

O novo filme é Um Homem Qualquer, primeiro longa-metragem de Caio Vecchio, que estreia nesta sexta-feira, 31, e traz Vereza no papel de Isidoro, um ex-psiquiatra que resolveu virar morador de rua. Em um de seus caminhos, encontra Jonas (Eriberto Leão), um rapaz angustiado à procura de equilíbrio em uma metrópole que oprime e confunde. Isidoro, que versa pelas ruas sua sabedoria irônica e questionadora, acaba se tornando um mentor de Jonas. Sobre cinema, TV e política, um dos assuntos preferidos do ator, ele conversou com o Estado.

Antes de Um Homem Qualquer, você filmou Brasília 18%, de 2006. Há algum motivo, como muito trabalho na TV, para você não fazer mais cinema?

Não. Adoro cinema, mas mesmo hoje não há regularidade no cinema nacional. Nelson Pereira, depois de Brasília 18%, não rodou mais ficção. Depois de Memórias do Cárcere, pensaram que eu ia emendar um filme no outro, mas fiquei uma década sem filmar. O Caio Vecchio levou quatro anos para conseguir distribuir Um Homem Qualquer. O Brasil é estranho mesmo.

E agora faz um filósofo das ruas.

É um personagem com o qual me identifico muito. O Caio me deu muita liberdade e me deixou até escrever o personagem. Isidoro é um psiquiatra que decide virar mendigo. E desconstrói os dogmas religiosos. E faz sentido. Em sua maioria, religiões oprimem porque foram criadas pelo homem para exercer controle. Nem sempre ser religioso significa ser espiritualizado. As ideias dele fascinam os jovens, como o Jonas, que está em busca de respostas.

Sente que as novas gerações estão desorientadas?

Sim. Não só pela religião mas pelo fim das utopias. A participação e o interesse político praticamente inexistem. Quando dou entrevistas, não querem saber de política. Não falo da redutora política partidária, mas no sentido amplo. Tudo é política. Nem mesmo atores querem. Estão mais interessados em ler colunas sociais e nas notas que ganham no caderno de cultura.

Você também dirige?

Adoro dirigir. Todo diretor devia atuar um pouco na vida, para entender o lugar do ator. E acho bacana atores que dirigem. Meu média-metragem Noite de Cristais vai passar no Canal Brasil. E estou pensando em rodar novamente. Quem sabe um longa de baixo orçamento.

Tudo o que sabemos sobre:
Carlos VerezaUm Homem Qualquer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.