Carlos Nascimento estréia hoje na Band

Mudar de canal não é força de expressão no caso de Carlos Nascimento. O homem volta ao ar hoje, pela Rede Bandeirantes, com oito quilos a menos do que tinha em sua última aparição no vídeo, pela Globo. Principal crédito da TV dos Saads nessa ressurreição da empresa - vide outras contratações, como Marlene Mattos na direção artística e Joelmir Beting na mesma bancada de Nascimento -, o jornalista está mais leve não só no peso físico. A satisfação pelo novo emprego está na cara."Acho que meu prazo de validade na Globo estava vencido, eu precisava de oxigênio novo", argumenta. Não fosse a pausa de dois anos de Globo - em 1988 comandou o Jornal da Cultura e em 89, o da Record, no último ano da família Machado de Carvalho à frente do grupo -, Nascimento estaria completando agora 30 anos a serviço do plim-plim, emissora da qual não guarda queixas. "Ninguém passa 30 anos num lugar em que não seja bem tratado", fala. A chegada à Band implica novo conceito no jornalismo da casa. E no histórico do próprio âncora, que se reconhece como uma das expressões máximas da sisudez que sempre marcou o jornalismo de TV. A ordem, agora, é navegar no sentido oposto.Emagrecer oito quilos faz parte da mudança de canal? Carlos Nascimento - Faz parte do quadro geral. É que antes eu entrava muito cedo no trabalho, às 7h30, e não dava tempo para fazer exercícios. Acordava às 6h. Porque quando termina um telejornal (na Globo), já tem de estar lá alguém do próximo jornal de rede. E todo o meu período de Hoje foi pródigo em plantões, teve o 11 de setembro, o seqüestro do Silvio Santos, uma série de coisas. Costumo correr. Já perdi 8 quilos, mas faltam mais ou menos 3.Por que é tão difícil fugir desse tom sisudo no telejornalismo? No Hoje, você notou que houve uma mudança. Eu fazia, na hora do almoço um jornal sozinho. Como é que eu ia fazer, na Globo, um jornal em que eu fizesse comentários sozinho? Teria durado dois dias. Os caras (direção da Globo) já falariam "pára com isso". Então, sugeri que trouxessem uma mulher para contracenar comigo. Tendo alguém para conversar fica mais natural, é um jeito de quebrar o gelo. Segunda coisa: eu precisava deixar de ser o editor-chefe (na frente das câmeras). Porque era um fechamento muito tempestuoso, com muito pouco tempo para preparar o jornal, então, era muito tenso. E eu ia para a bancada muito mais como executivo do jornal do que como apresentador. Quando eu me vi liberto daquilo e com uma pessoa do lado para eu poder falar, eu disse, agora chegou a hora de começar a relaxar.Agora você vai relaxar mais? Aqui é diferente, é um jornal que eu vou fazer à noite, é um fechamento um pouco mais tranqüilo. Isso me dá oportunidade de conservar o humor e a tranqüilidade na hora de fazer o jornal. Você tem que sentar naquela bancada como se fosse um fim de dia numa mesa de jantar, como se as pessoas se encontrassem numa mesa de bar. Ninguém fala nesse tom sisudo, a conversa é sempre amena e leva-se muita coisa para a piada. Acho que a gente tem que fazer isso, respeitando a seriedade da notícia.

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