"Cardinale": restaurante bonito e elegante

O Cardinale confirma as expecativas e já nasce como um grande restaurante. O chefe Luciano Boseggia é mesmo um craque e conseguiu mais um cenário lindíssimo, adequado para a sua cozinha italiana de primeira, calcada na tradição, mas com toques modernos. Um restaurante caro, de classe, badalado e, conseqüentemente, ainda um pouco conturbado.A saída de Luciano Boseggia do Fasano foi comentadíssima. Ele já fazia parte da paisagem, trabalhou no primeiro Fasano da Rua Amauri há muito tempo, e inaugurou a casa da Haddock Lobo. Depois, participou de outros empreendimentos da família Fasano (Gero, Parigi, Gero Caffe), escreveu livros de culinária e garantiu um lugar de destaque na cena paulistana. Por volta de outubro do ano passado, ele recebeu uma proposta do importador Eduardo Callaz e do Shopping Higienópolis para comandar vários empreendimentos. A idéia básica era montar um restaurante de alto luxo e uma escola de cozinha no belíssimo casarão, remanescente da era dos barões do café, e um outro restaurante maior, um pouco mais popular, numa espécie de adendo lateral do shopping. As obras para a montagem do restaurante se estenderam muito mais do que o previsto, o sócio Eduardo Callaz ficou no caminho e o Cardinale acabou sendo inaugurado há pouco mais de uma semana.Ele ficou tão bonito que é bem possível que se mantenha como o restaurante de mais classe do grupo. Fica num gazebo, numa espécie de jardim de inverno com armação de metal e muito vidro. Para proteger do sol, cortinas de tecido claro acionadas por um dispositivo elétrico. Salão principal imponente, com pé direito alto e lindos lustres de cristal. Nele, onze mesas redondas, confortáveis, com poltronas de palhinha. Um grande bar com tampo de mármore preto percorre toda a sua extensão. Atrás do bar, espelhos com prateleiras de rádica, que parecem bandejas flutuantes.Ao fundo, uma imensa adega toda de rádica de amendoim dá um toque de classe ao ambiente. Ao lado, outro salão com seis mesas e uma imensa pintura de Heli Alves evocando o traje vermelho de um cardeal, o símbolo gráfico da casa.Na frente e na lateral, mais sete mesas quase ao ar livre, protegidas por toldos. No dia da visita, um fogareiro a lenha tentava aquecer o ambiente e, em alguns momentos, produzia mais fumaça do que calor. Na frente, algumas mesas para garantir uma espera relativamente confortável.A infra-estrutura do Cardinale também é caprichada. Boseggia comanda várias cozinhas: uma para a preparação final, outra para começar a preparar antecipadamente alguns pratos, como os assados e bases de molhos, um ambiente só para as sobremesas e outro para fazer as massas. Um bom cardápio é aquele que tem tantos pratos interessantes que a escolha fica difícil. O do Cardinale está entre esses e propõe 11 entradas (entre R$ 17 e R$ 32); três sopas (entre R$ 16 e R$ 21); quatro polentas (entre R$ 14 e R$ 17); seis risotos (entre R$ 25 e R$ 35); 12 massas (entre R$ 20 e R$ 33); seis peixes e crustáceos (entre R$ 27 e R$ 41); sete carnes e aves (entre R$ 25 e R$ 29), além das sobremesas (R$ 9 nos almoços e R$ 11 à noite).Todos os pratos aprovaram. Massas muito bem feitas, cozidas al dente, comaçando pelo "triangolli de pernice com radiccio e zuca", uma massa recheada delicada e gostosa. Maravilhoso, num tom mais tradicional, o nhoque com ragu de vitela. Ainda bem tradicional, quase rústica, uma massa fresca (stracci) com um molho de rins de vitela ao Chianti e cebolinha. Quem gosta de rins não deve perder. Também ótimos os pratos principais, notadamente as macias costeletas de cordeiro grelhadas com ragu de favas e cogumentos do tipo spugnole. Excelente, macio, o mais que tradicional ossobucco à moda de Milão. Apenas a costeleta de vitela à milanesa não veio no mesmo nível dos demais pratos. O empanado, feito com pão amassado e não com farinha de rosca, ficou espesso demais e deu um toque meio "doce" à vitela. O serviço é mesmo de primeira, embora um pouco conturbado pelo grande movimento. Ele é comandado pelo maître Vicci, sempre muito elegante e competente, e conta com outros profissionais de alto nível. Carta de vinhos boa. Não é das mais extensas, mas nota-se que os vinhos foram escolhidos com cuidado pelo competente conhecedor Jorge Lucki. Café expresso de primeira.

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