Cao Guimarães abre a exposição Gambiarras

A chamada poética da gambiarra, a que se faz a partir da percepção das engenhocas ou soluções criativas feitas pelo povo para driblar o cotidiano, já é um tema recorrente na produção artística contemporânea. Cao Guimarães é um dos artistas que se debruçam sobre as gambiarras - e, para ele, quanto mais olhares estiverem sobre a precariedade e criatividade popular, melhor. "É um tema rico, um espelho da nossa cultura", diz Guimarães, que abre nesta terça-feira a mostra na Galeria Nara Roesler. Sua exposição se faz com fotografias como registros das gambiarras diversas encontradas no Brasil e mundo afora, e pela projeção do vídeo inédito "Sin Peso", feito no México.Cao Guimarães é um dos selecionados para a 27.ª Bienal de São Paulo, que será aberta em outubro. Ele participará com um filme, Andarilho, que fará parte da programação da Quinzena de Filmes, segmento da 27ª Bienal a ser realizado no Cine Bombril. O Andarilho trata de um solitário caminhante. "O trabalho faz um contraponto com o tema geral da 27ª Bienal, que é Como Viver Junto", diz.A produção híbrida do artista, que trespassa o cinema e adentra no circuito de artes plásticas, é um caminho natural em sua carreira. Sin Peso, que será exibido na galeria tal como projeção cinematográfica é poético, trabalho que mescla a "musicalidade" das falas entoadas por vendedores ambulantes mexicanos com imagens de lonas das barracas dos camelôs flutuando ao vento - uma leve experiência visual feita de cores e recortes geométricos. Já nas fotos, está a "delicadeza inventiva" popular - e, como definiu o crítico Rodrigo Moura, são soluções com carga de escultórico. A galeria exibe no mezanino obras do argentino Máximo Gonzáles. Cao Guimarães. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 655, 3063-2344. 2.ª a 6.ª, 10 h às 19 h; sáb., 11 h às 15 h. Até 23/9. Abertura hoje, 20 h

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