Cantoras e rapper dominam Rec-Beat

Aqui é o lugar. A hora é esta. Quem tem cacife se consagra. Para quem vem de uma cidade com uma infinidade de lugares e ofertas culturais e musicais, como São Paulo, a princípio a programação do Rec-Beat 2013 soava um tanto menos entusiasmante em relação à da edição passada. Porém, alguma coisa acontece no palco do Cais da Alfândega que nada tem a ver com mágica. O cuidado com a qualidade técnica de som e luz, o ambiente, o público gigante e interessado - tudo isso faz com que quem se apresente com vontade não faça apenas mais um show.

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, RECIFE, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2013 | 02h05

Assim se deu com duas das estrelas brasileiras ascendentes, estreantes nesse palco, Karina Buhr e Tulipa Ruiz, que fecharam respectivamente as noites de sábado e domingo, com legiões de fãs eufóricos (para dizer o mínimo) estimadas em pelo menos 15 mil pessoas por noite. Em anos anteriores, Lucas Santtana e Baiana System, entre outros, fizeram aqui os melhores shows de suas temporadas.

Cantores e bandas indies desse porte há anos têm nos festivais o melhor veículo e a melhor vitrine - e o Rec-Beat é um dos mais importantes pela visibilidade, pela repercussão, pelo fato de ser de graça em área aberta, reunindo público de brasileiros e turistas, residentes e visitantes.

"Com exceção do Baile Perfumado, Recife não tem casas de shows para artistas como esses para se apresentarem", diz Antônio Gutierrez, o Guti, criador e diretor do Rec-Beat, que há 18 anos faz sucesso como exceção dentro da programação do carnaval multicultural do Recife. "Então, para o público daqui é uma oportunidade rara ver Karina e Tulipa, Anelis Assumpção ou Céu. Não me importo de repetir atrações que outros festivais já levaram porque não posso privar o público daqui, além dos visitantes que vêm passar o carnaval, de ver esses artistas que em São Paulo se pode ver a toda hora."

Curiosamente, a situação aqui é mais favorável para que os shows sejam mais calorosos e os artistas desempenhem melhor do que em lugares convencionais. Na ausência de novas boas bandas de pop-rock, Karina e Tulipa representam bem o gênero, acompanhadas de músicos que dão o sangue com uma pegada roqueira de abalar. O público canta com elas, também de forma impressionante, todas as músicas, do início ao fim. O ponto alto do festival até agora foi Tulipa cantando Víbora, que deixou o público perplexo pela contundência da interpretação.

Além de ocupar cada canto do palco com atuação performática, ambas têm a mania de enrolar o cabo do microfone no pescoço. O recurso pode parecer detalhe, mas a captação do microfone com fio faz toda a diferença.

No caso do charmoso grupo colombiano Monsieur Periné, a qualidade técnica, involuntária à produção do festival, acabou prejudicando o show, principalmente a cantora Catalina García, que usou microfone sem fio e teve a voz bem ofuscada. Independentemente disso (se é que se pode relevar fato tão importante), o show é muito bom, mesclando swing, ritmos latinos, rock e dance eletrônico. O público pediu bis (mas não teve), como no caso do carismático rapper venezuelano MCKlopedia, que fez um dos melhores shows de sábado com seu mix de soul, reggae e hip-hop.

Em outro palco, o homenageado do carnaval deste ano, Naná Vasconcelos, apresentou seu novo e sensacional projeto, o grupo Batucafro. Formado por cinco percussionistas (incluindo Naná), três metais, duas afinadas cantoras, cavaquinho e bandolim, o grupo reprocessa ritmos tradicionais afro-brasileiros e emocionou o público com uma versão das Bachianas Brasileira n.º 5, de Villa-Lobos, em ritmo de ciranda, e a contagiante Nariná, trazida pela cantora Lura, do Cabo Verde.

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