Cantora bissexta, à mercê da timidez

Carreira discográfica não é pródiga, e primeiro álbum, pela Eldorado, saiu quando já tinha 31 anos

, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Ana de Hollanda estreou musicalmente em 1964, em São Paulo, no palco do Teatro do Colégio Rio Branco, no show Primeira Audição, integrando o grupo vocal Chico Buarque e As Quatro Mais.

Quatro anos depois, Ana participou do 3.º Festival Internacional da Canção, defendendo o frevo Dança das Rosas, composto por Chico Maranhão. Ali, ganhou seu primeiro registro fonográfico, já que o tema foi gravado na coletânea do festival.

Em 1979, um ano antes de gravar pelo Selo Eldorado seu primeiro disco solo, Ana de Hollanda - com composições de Carlos Pita e João Damata (Waikiri) e Miltinho e Chico Buarque (Angélica) - passou a frequentar aulas de técnica vocal e interpretação com a fonoaudióloga Rosemarie Shock, em busca de melhorar sua dicção, impecável até hoje em seus discos. "Afinal, eu não queria apenas ser mais uma a cantar. Queria mostra um trabalho sério num disco extremamente bem elaborado", disse ela ao Jornal da Tarde, em julho de 1980.

Em 1995, Ana gravou seu segundo disco, Tão Simples, pelo selo Movieplay, interpretando quinze faixas de diversos autores. No álbum, destaque para o desempenho da cantora em temas como Pra Dizer Adeus (Edu Lobo e Torquato Neto), Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes e Paulinho Soledade), O Negócio É Amar (Carlos Lyra e Dolores Duran), Predestinado Amor (Paulo César Pinheiro e Mauricio Carrilho), sem contar os temas compostos por Chico Buarque: É Tão Simples e As Cartas (que ela canta com o próprio irmão).

"Eu sou meio intuitiva. Sei quando posso interpretar bem uma música ou quando simplesmente não me entroso no ritmo. Sambão é um exemplo. Gosto de sambão, mas não me sinto à vontade interpretando o gênero. Não sei explicar bem, é mais uma questão de intuição."

Ana voltaria a lançar um disco apenas em 2001. Com produção de Marco André Oliveira, pelo selo JAM Music, ela lançou Um Filme, álbum que marca sua estreia como compositora, em Um Filme, ao lado de Jards Macalé. O CD também traz composições de Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola, em Depois de Tanto Amor; novamente Mauricio Carrilho e Paulo César Pinheiro, em Marés; Aldir Blanc e Moacyr Luz, em Sem Maldade; de Guinga e Aldir Blanc, em Yes, Zé Manés (que já havia sido gravado por Chico Buarque); e da própria Ana, em Contra Mim e Girando Sob a Tempestade.

"Sou tímida demais para gravar, por isso sou uma cantora meio bissexta. Mas, mesmo sem gravar, não tenho ficado parada, sempre faço um show aqui ou ali", disse em 1986, sobre sua carreira com lacunas.

No ano passado, lançou seu mais recente trabalho, Só na Canção (CPC-Umes), no qual exercita completamente seu coté compositora pela primeira vez em 14 faixas. Todas as composições são dela.

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