Cantor Charles Bradley: das ruas de NY para a glória

À beira de completar 65 anos, Charles Bradley relembra sua trajetória. Passou a infância com a avó na Flórida. Nunca soube quem era seu pai. Um dia, quando tinha 8 anos, veio uma mulher, disse que era sua mãe e que iria levá-lo de volta com ela para Nova York. Aos 14 anos, deixou o porão da casa em que a mãe o abrigara e preferiu viver nas ruas. Dormia nos vagões do metrô para não morrer de frio. Cheirava cola. Passou 62 anos de sua vida em empregos duros. Ele nem mesmo sabia que podia cantar, seus amigos é que o fizeram notar isso.

JOTABÊ MEDEIROS, Agência Estado

12 de julho de 2013 | 12h41

Há pouco mais de dois anos, o compositor e baixista Gabriel Roth, produtor da Daptone Records, uma gravadora do Brooklyn, NY, o viu cantando com uma banda sob o codinome de Black Velvet. Roth não teve dúvidas: estava ali, bem na sua frente, uma das maiores vozes do soul, do mesmo quilate de um Otis Redding, Wilson Pickett, Al Green e James Brown (que ele imitava).

Seu primeiro disco, No Time for Dreaming (2011), saiu em seguida e foi um assombro. O segundo, Victim of Love, acaba de desembarcar no Brasil pela gravadora Deck Discs. Nada pode ser mais cortante que o soul psicodélico de Bradley.

"A única coisa que me restou das ruas foi o amor. A maior lição que trouxe de lá foi ser eu mesmo, sempre achar um jeito melhor de não deixar de amar", disse Bradley ao Estado, na sexta passada, falando por telefone de Londres, onde cumpria parte da turnê europeia. Sua descoberta da música se deu por intermédio de James Brown, que viu no Teatro Apollo quando tinha 18 anos. Nos anos 1990, quase morreu de uma febre que não sabe a causa, chegou a 104,7 graus. Hoje ele está por cima da carne seca, mas não há nenhuma sombra de amargura em sua voz, nem de revanchismo.

VICTIM OF LOVE - Charles Bradley e The Menahan Band. Lançamento Deck Discs e Daptone Records. R$ 30

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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