Cannes, o anúncio dos eleitos

Cacá Diegues será jurado de uma das seções e mostra filme sem competir

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Cannes anunciou ontem a lista dos filmes que vão concorrer à Palma de Ouro na 63.ª edição do maior evento de cinema do mundo, a partir de 12 de maio. Como sempre, a seleção oficial da mostra competitiva busca equilíbrio entre novos diretores e nomes consagrados do cinema de autor. A lista deste ano de alguma forma sugere uma seleção mais "alternativa" do que a de anos precedentes. Com Abbas Kiarostami, Mike Leigh e Nikita Mikhalkov, a lista contempla Mathieu Amalric, Im Sang-soo e Apichatpong Weerasethakul. Havia a expectativa de que o argentino Pablo Trapero participasse da competição, mas o único diretor da América Latina na mostra principal será o mexicano Alejandro González-Iñárritu.

O Brasil participará de Cannes 2010 pelas bordas. Cacá Diegues integra o júri de curtas da Cinéfondation e vai mostrar a nova versão de Cinco Vezes Favela, que produz, numa sessão especial no Palais. Na segunda seção mais importante do festival, a mostra Un Certain Regard, a participação brasileira é mais direta. A Mostra de São Paulo coproduz e Ana Maria Magalhães faz um importante papel no novo Manoel de Oliveira, O Estranho Caso de Angélica. "Um Certo Olhar" terá filmes assinados por Jean-Luc Godard (Film Socialisme) e Lodge Kerrigan (Rebecca H, Return to the Dog).

Também ontem, a organização do festival divulgou os nomes de dois integrantes do júri presidido pelo norte-americano Tim Burton (de Alice no País das Maravilhas). Um deles é o ator Benicio Del Toro, premiado em Cannes por sua interpretação como Che Guevara no épico de Steven Soderbergh sobre o revolucionário. O outro é o diretor espanhol Victor Erice, que concorreu na Croisette, há quase 20 anos - em 1992 -, com El Sol del Membrillo. O festival estende o tapete vermelho para o Robin Hood de Ridley Scott, com Russell Crowe e Cate Blanchett. Será o filme de abertura, na noite de 12.

A seleção anunciada pelo diretor artístico Thierry Frémaux é eclética. Tem filmes de época - o de Ridley Scott e o francês La Princesse de Montpensier, de Bertrand Tavernier - e até uma sequência. O russo Nikita Mikhalkov volta à competição com a segunda parte de O Sol Enganador. Em 1994, houve uma polarização no festival entre o primeiro Sol Enganador e Tempo de Violência, de Quentin Tarantino, mas entre a grande literatura russa - o perfume chekhoviano do filme de Mikhalkov - e a "pulp fiction" tarantinesca, o júri da época preferiu ficar com a segunda.

Habitué. Mesmo jovens, alguns diretores já são veteranos na Croisette - Iñárritu e Rachid Bouchareb. Pelo menos dois concorrentes já ganharam a Palma e tentam acrescentar mais uma à sua coleção - o inglês Mike Leigh, que venceu com Segredos e Mentiras, e o iraniano Abbas Kiarostami, de O Gosto da Cereja. O novo longa de Kiarostami, Copie Conforme, é estrelado por Juliette Binoche, cuja imagem ornamenta o cartaz deste ano, e outra estrela, a anglo-francesa Kristin Scott Thomas, será a apresentadora da festa. Duas novidades. A seleção norte-americana é reduzida e o japonês Takeshi Kitano, habitué de Veneza, troca o Lido pela Croisette com a promessa de renovar seu cinema em crise.

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