CandoCo pratica a democracia na dança

Um olhar diferente sobre os gestos.Um jeito de fazer a dança de forma livre, aberta a todas aspessoas, adaptada a diferentes corpos e aos portadores dedeficiências físicas. Essa é a filosofia da companhia inglesaCandoCo, que com sensibilidade leva ao palco diferentes formasde movimento em coreografias democráticas. O grupo conta com apresença do bailarino brasileiro Pedro Machado, em férias noBrasil, que falou à reportagem sobre o grupo e a expectativade uma turnê pelo País.Há cinco anos na companhia, Machado, filho da escritoraAna Maria Machado, diz que foi atraído pela maneira especial doCandoCo compreender e fazer arte. "O fato de o grupo não ter umcoreógrafo residente, somado à presença de pessoas comfisicalidades distintas, bailarinos muitas vezes rejeitados emoutros lugares, com coreografias que promovem a inclusãocriativa desses artistas me animaram a ingressar no grupo",diz.Quando fez a audição, dançou ao lado de Celeste Dandeker, fundadora do CandoCo. "Tive muita sorte. Celeste, na época,ainda dançava, foi uma experiência inesquecível. Atualmente elaapenas dirige a companhia, uma pessoa que sabe ouvir e trocaridéias." Após sofrer um acidente, Celeste, uma destacadabailarina, decidiu criar o CandoCo. Impossibilitada de executara dança a que estava acostumada, passou a explorar exercícios emovimentos que se adaptassem à sua nova realidade. Resultado:criou um jeito democrático de manter vivo seu desejo."A companhia favorece uma reflexão sobre o ato dedançar. Lidar com pessoas com deficiências obriga artistas,professores e criadores a repensarem os movimentos e a própriadança." Atualmente com oito bailarinos, cinco deles deficientes, o grupo está com a agenda cheia para turnês em todo o mundo."Gostaria de trazer a companhia para o Brasil, seria muitointeressante a troca de experiências com os grupos brasileiros,que pude conhecer quando participei do festival Arte semBarreiras, em Belo Horizonte. Tive contato com gente muito boa,como o Pulsar e o Limites", diz.O processo de captação de recursos está por conta daTecnopop, do Rio. De acordo com Pedro Machado, a produtora buscaparceria para realizar uma turnê por cinco cidades brasileiras,além da realização de workshops e oficinas.De acordo com o bailarino e coreógrafo brasileiro, jáhouve contato com fomentadores culturais da Rocinha, com aproposta de ministrar cursos no local. "Para os artistasbrasileiros, o CandoCo pode ser uma referência. Percebi quealgumas questões que abordávamos há oito anos ainda estãopresentes nos palcos brasileiros, como, por exemplo, anecessidade de dançar com cadeiras de rodas. Hoje, realizamoscoreografias sem esses instrumentos."Três bailarinos são os responsáveis por transmitirtécnicas aos demais. "As aulas são diversificadas, estudamosanatomia, técnicas de consciência corporal, contato eimprovisação. Procuramos sempre lapidar os gestos, tornando-osprecisos."

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2003 | 16h14

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