Candidatos do Rio revelam idéias para a cultura

Os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro deram entrevistas ao Estadão.com.br sobre suas plataformas para a cultura. Alguns limitaram-se a pontuar propostas, enquanto outros preferiram fazer defesas mais extensas de suas idéias. Contudo, quase todos foram omissos em relação a temas simples e obrigatórios: poucos mencionaram uma política definida para teatro, cinema, shows e ocupação de instituições culturais. Luiz Paulo Conde, do PFL, atual prefeito do Rio de Janeiro - Conde quer fazer um plano estratégico para a cultura do Rio, que admitiu não existir na gestão atual. Segundo ele, esse plano se configura como um grande calendário para a cultura, "que qualquer cidade do mundo tem". Mesmo sem calendário, o prefeito diz ter conseguido financiar 95% dos eventos culturais da cidade, muitos parcialmente. Quer incluir na agenda as manifestações espontâneas, como o Santa Tereza de Portas Abertas, aproveitando as características dos bairros onde acontecem. "Queremos levantar o carioquismo, no sentido de estimular aquilo que a cidade já tem de forte", disse. Conde salientou que tem projetos para áreas do centro hoje esquecidas ou desvalorizadas, como a Praça Tiradentes e a Cinelândia, através da desapropriação de imóveis para fins culturais. Conde prometeu ampliar o orçamento da cultura. César Maia, do PTB - Uma idéia se destaca: trazer uma filial do Museu Guggenheim de Nova York para o Rio. O museu vai escolher duas cidades do mundo para abrir filiais, uma na América Latina, no ano que vem. César quer preparar o Rio para uma candidatura com chances de disputa. Fora isso, a plataforma de cultura de César Maia é dependente da administração dos recursos municipais. "Se a prefeitura estiver bem administrada, é possível realizar tudo em matéria de cultura", diz, não explicando projetos mais detalhadamente. Benedita da Silva, do PT - A idéia mais proeminente do programa de Benedita é o Fórum Municipal de Cultura. Nele, seriam criados gabinetes para cinema, teatro e literatura, comandados pela Secretaria de Cultura, aliada a representantes da classe artística. "Vamos descentralizar a cultura, criando departamentos de cultura em cada uma das secretarias", disse. Benedita quer fazer da indústria cinematográfica sua prioridade. Para tanto, pretende instituir a Zona Franca de cinema e vídeo, que traria facilidades para os produtores. Também fala em reabrir os cinemas que fecharam para virar igreja. Ronaldo César Coelho, do PSDB - Segundo Ronaldo, o Rio de Janeiro é a cidade que tem o maior testemunho histórico do Império. Os monumentos e palácios da cidade deveriam ter uma utilização cultural mais intensa, o que, para ele, viria a gerar mais empregos. "É por isso que defendo que lugares como o Museu Imperial não fiquem fechados, pois é preciso conjugar a atividade cultural com a econômica", disse. Sua prioridade, porém, é combinar a cultura com o turismo de negócios, abrindo centros de convenções. Leonel Brizola, do PDT - Disse que entende a cultura como questão de identidade nacional. Sua prioridade é garantir ao carioca menos privilegiado economicamente e ao imigrante a expressão cultural. "Vamos fazer do pavilhão de São Cristóvão um centro cultural nordestino". Ressaltou os projetos que tem para usar os arquivos públicos como forma de inspiração para projetos culturais. Alexandre Cardoso, do PSB - O selo carioca é o principal projeto do candidato. A idéia é fazer um selo de lançamento de CD´s, escolhendo-se os músicos contemplados em shows nas escolas da rede municipal. Pelo programa, serão produzidos 5 mil CD´s, de trinta bandas ou músicos saídos dos festivais. "Com o selo, o Rio vai reforçar ainda mais sua condição de capital da MPB", disse Cardoso. Gilberto Ramos, do PPB - A marca de suas propostas é levar a cultura para a Zona Oeste da cidade, "fazendo dos coretos de praça novamente um lugar de apresentações musicais". Pensa que a prefeitura tem dado muito apoio a eventos e artistas internacionais, e diz preferir o investimento "no samba e no chorinho". Pretende dar apoio a manifestações de teatro de humor, "pois a alegria é cultura também". Acha importante habituar as crianças ao teatro, numa perspectiva de formar platéias. Alfredo Sirkis, do PV - Defende que a prefeitura não financie diretamente grandes projetos culturais, e sim os que não têm como arranjar patrocínios na iniciativa privada. "A prefeitura tem que despertar o artista dentro das pessoas, dando oportunidade a favelas e bairros da periferia", disse. Quer o apoio da classe artística como voluntária neste trabalho. Cyro Garcia, do PSTU - Garcia faz questão de não separar cultura de educação, e condiciona sua plataforma cultural à erradicação do analfabetismo. Para tanto, defende aumentar o salário dos professores municipais. Sobre cultura, "é preciso permitir o acesso das massas à cultura, levando-a para as ruas de graça, pois os preços dos espetáculos são proibitivos". Além disso, quer incentivar as manifestações culturais como a Feira de São Cristóvão.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2000 | 18h49

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