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Canal Futura aposta em reality de cunho social

Em Os Hermanos Perdidos no Brasil, três latinos estrangeiros cruzam o País numa Kombi, em defesa de instituições infantis

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2013 | 02h09

Como um uruguaio, um argentino e um paraguaio que nunca se viram antes farão para chegar a Touros, no Rio Grande do Norte, partindo de Foz do Iguaçu, no Paraná, a bordo de uma Kombi 1972, em apenas 30 dias? Não é um road movie, mas bem poderia ser. Entre tantas tarefas a cumprir no caminho, o trio tem de vencer uma sucessão de desafios, em meio a uma língua estrangeira e uma região desconhecida, para merecer o prêmio proposto. Dinheiro? Casa? Viagem? Que nada. O troféu é ajudar três instituições sociais infantis selecionadas pela equipe da Medialand, produtora do programa e dona do formato.

Os Hemanos Perdidos no Brasil se passa em 12 episódios de meia hora cada um e estreia no dia 6. O publicitário uruguaio Tati, o músico argentino Nacho e o estudante paraguaio Beto foram selecionados pelo Facebook. "Recebemos mais de 600 interessados", contou ao Estado Beto Ribeiro, da Medialand, criador e roteirista do Hermanos. "O uruguaio selecionado, por exemplo, foi nossa segunda opção - o primeiro escolhido não sabia dirigir, e era essencial que eles se revezassem na direção da Kombi", completa.

Para dar conta da missão, uma equipe de 30 pessoas acompanhou o trio, sem interagir com os competidores. Eram câmeras, produtores e assistentes munidos de um roteiro que, como bem define Ribeiro, parecia uma árvore, de tantas ramificações. Cada prova previa desfechos A, B e C, que por sua vez embutiam outras situações distintas. "Em Santos, por exemplo, eles tinham de vestir uma camisa da seleção brasileira e, ao lado da estátua do Pelé, perguntar a quem passava: 'Qual é o maior jogador do mundo?' Se alguém falasse Maradona, a prova tomaria um outro rumo, e eu jurava que ninguém diria isso. Mas um garoto falou e o roteiro foi para o outro lado."

GPS. E como será a reação do paraguaio, que nunca viu o mar na vida? O trajeto atravessa o interior paulista, o centro histórico mineiro e o Planalto Central, até chegar às praias do Nordeste. Aqui, um GPS tem peso de colar de anjo, aquele que garante a permanência de um BBB no jogo. Em dado momento, a produção retira o GPS do alcance do trio, e isso atrasa a chegada ao destino seguinte.

Conseguir uma estadia em hotel, um almoço de comida típica ou conhecer melhor a cultura local estão entre as provas da série. Também se pergunta sobre figuras característicos de cada cidade e acontecimentos históricos. É um game reality, como classifica Ribeiro, mas um reality, logo se vê, à moda do educativo Futura.

Se os hermanos chegarem à reta final, cumprindo todas as tarefas do trajeto no prazo, a Associação Projeto Cre'r, em Santo André (SP), a Casa Vó Benedita, em Santos (SP), e o Instituto do Câncer Infantil do Agreste, em Caruaru (PE), recebem, além de uma reforma, brinquedos e DVDs. A escolha das três instituições teve como critério o fato de não serem muito agraciadas por grandes campanhas.

Segundo Ribeiro, Os Hermanos do Brasil foi vendida para vários países, como Áustria, Espanha, Coreia do Sul, China e Finlândia. Portugal deverá produzir uma versão local, pagando apenas pelo formato. Isso instiga a Medialand a bancar em curto prazo a produção de uma segunda temporada, agora com outros personagens. "Estou pensando em As Hermanas, ou em três brasileiros viajando por países vizinhos, da América Latina", adianta Beto Ribeiro.

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