Canal Brasil traz o talento de Leonardo Villar

Aos 78 anos de idade, o ator Leonardo Villar continua provando que é um dos maiores talentos brasileiros na área da dramaturgia. Consagrado por sua atuação no filme O Pagador de Promessas, premiado no Festival de Cinema de Cannes e que o tornou conhecido internacionalmente, hoje o veterano ator pode ser visto no papel de Paschoal, em Laços de Família, um pai que não se conforma com a escolha de vida feita pela filha, a ex-garota de programa Capitu (Giovana Antonelli). Para relembrar os trabalhos deste grande ator, o Canal Brasil (Net/Sky) convidou o cineasta Joel Pizzini para dirigir um documentário sobre sua vida, especial que vai ao ar nesta segunda, dia 8, a partir das 20 horas, na faixa Retratos Brasileiros.Em 50 minutos, o especial Um Homem Só faz uma análise da personalidade de Villar, suas principais obras e toda sua trajetória como ator. Sensível, intuitivo, inteligente e avesso a qualquer tipo de badalação ou marketing pessoal, ele relembra no seu apartamento a origem pobre e a importância de ter trabalhado como alfaiate, profissão que, segundo ele, ajudou-o como ator, dando-lhe um caráter fortemente artesanal. Antes disso, Villar trabalhou na roça, ao lado do pai e dos irmãos, e aos 10 anos tornou-se aprendiz de alfaiate em Piracicaba. Adolescente, foi contratado pelo ateliê de Madame Rosita, uma das maiores casas de moda de São Paulo, estudando à noite e sonhando em se tornar cantor de tango.Em 1948, quando foi fundada a Escola de Arte Dramática (EAD), Leonardo, então aos 24 anos, viu o anúncio no jornal e resolveu disputar uma vaga, apesar de nunca ter pisado num palco. "Nunca tinha terminado curso nenhum porque nunca quis ser doutor. Pensei que aprender a ser ator, talvez, seria algo diferente", relembra. Depois de acompanhar a primeira aula ministrada por Cacilda Becker, fez um exame e foi aprovado. Mesmo cursando as aulas de teatro, ele não abandonou o ofício de alfaiate. Nessa época, estava empregado na Casa Vogue, até abrir seu próprio ateliê. No início fazia papéis secundários em grandes peças no TBC e se formou na primeira turma da EAD. Apesar das críticas desfavoráveis ao seu trabalho no início da carreira, vendeu seu ateliê de costura e resolveu ganhar a vida como ator.Foi pela atuação na peça A Raposa e As Uvas que ele ganhou seu primeiro prêmio, como ator revelação. Depois de alguns trabalhos, voltou para o TBC, onde ficou por 9 anos como ator contratado. Neste período seu grande sucesso foi com a peça O Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller, somando sete prêmios. Registrado como Leonildo Motta, o ator já havia adotado o nome Leonardo Villar. "Eu era Léo no meio artístico. Leonardo surgiu porque nunca gostei do meu nome. E Villar é mais bonito que Motta", explica.Tudo pelo Zé Do Burro - Quando estava no TBC, no final da década de 50, Villar integrava o elenco de O Pagador de Promessas, no papel de Zé do Burro. Em 1960, Anselmo Duarte comprou os direitos do texto para transformá-lo em filme, mas o porte físico do ator - grande e forte - não combinava com a idéia que Anselmo tinha do personagem, um nordestino franzino e judiado. Mas isso não foi empecilho: Leonardo tinha que emagrecer 8 quilos em um mês, e acabou perdendo 13. Nos quarenta anos posteriores a O Pagador de Promessas fez poucos filmes, participou de novelas e atuou no teatro. Só voltou à telona em 1996 no curta premiado Enigma de um Dia, de Joel Pizzini; e mais tarde em dois longas: Ação entre Amigos, de Beto Brant (1998) e Brava Gente Brasileira (2000), de Lúcia Murat.No decorrer do programa ele recebe as visitas de Glória Menezes, com quem contracenou em O Pagador de Promessas e Lampião, e do colega Othon Bastos. O especial também apresenta uma montagem com seus melhores momentos nos filmes A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Pagador de Promessas, A Grande Cidade, Amor e Desamor, Ação Entre Amigos, O Rei do Cangaço, Madona de Cedro e Santo Milagroso.

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