Canais por assinatura: pirataria está com dias contados

Apesar da proliferação do número de assinantes da TV paga no País, a quantidade de ligações clandestinas ainda é muito grande. Segundo o diretor de Tecnologia da ABTA (Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura), Antônio João Filho, uma das saídas para evitar a pirataria de sinais é a implantação do mesmo sistema já utilizado por operadoras via satélite, como a Sky e Directv: o codificador."O que mais estimula as ligações clandestinas é o fato de que o cabo vem da rua e é conectado diretamente ao televisor. Para acabar com a pirataria, é essencial tomar algumas medidas, começando pelos investimentos em tecnologia. Se todas as operadoras utilizarem a caixinha de codificação, algo que os assinantes da TV por satélite já possuem, esse tipo de ação seria mais inibida", analisa o diretor, adiantando que este procedimento está sendo adotado pela Net para o próximo ano. "Para 2001, eles têm um projeto de codificar mais de 50% dos equipamentos de assinantes", adianta. Segundo Antônio João, não há uma estatística que prove que a pirataria de sinais esteja relacionada apenas com a população de baixa renda. "Existem ligações clandestinas em casas de todos os níveis sociais, não há diferença", reforça ele, lembrando que, na prática existem três lados que saem perdendo com isso: a operadora, os canais por assinatura, e por fim, o Estado, que deixa de arrecadar impostos.De acordo com um levantamento feito pela ABTA no ano passado, a estimativa de prejuízo com ligações piratas em todo o Brasil gira em torno de R$ 7,5 milhões por mês, ocasionadas por aproximadamente 150 mil usuários clandestinos (nos Estados Unidos, os prejuízos com a pirataria de sinais chegam a somar U$S 6 bilhões por ano). Ainda segundo os números fornecidos pela Associação, 50% das ligações clandestinas são feitas por ex-assinantes. CUIDADOS BÁSICOS - Não é só através da tecnologia que a pirataria de sinais pode ser combatida. "É preciso também apurar um pouco mais os procedimentos adotados no momento das vendas, além de realizar auditorias físicas para verificar se o assinante que está conectado é um pagante ou não", destaca Antônio João. Mesmo diante de uma denúncia de ligação clandestina, a ABTA não toma à frente dos processos. "A Associação não atua no âmbito de ir até às últimas conseqüências com o assinante, que pode até mesmo ser preso acusado de receptação de mercadoria roubada. Um usuário clandestino pode ser enquadrado no mesmo crime de alguém que rouba energia elétrica. É crime e não há o que discutir", salienta o diretor.

Agencia Estado,

17 de dezembro de 2000 | 00h08

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