Campos, sintonia com Osesp

Artistas do grupo são base da atividade artística e pedagógica do evento

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h09

Em sua primeira edição sob o comando da Fundação Osesp, o Festival de Inverno de Campos do Jordão terá 60 concertos e receberá 115 alunos, do dia 30 de junho a 29 de julho. O investimento total é de R$ 6 milhões - R$ 2,5 milhões bancados pelo governo do Estado e o restante, pela iniciativa privada. A novidade fica por conta da mudança na área pedagógica, que passa a ter como foco a atividade orquestral - a sinfônica formada por alunos fará três programas distintos ao longo do festival.

"Montamos a programação em torno de três eixos principais", explicou na quarta o diretor artístico do festival, Artur Nestrovski. "O primeiro diz respeito à orquestra dos bolsistas; o segundo, aos professores que também farão concertos; e, por fim, artistas convidados, que vão apenas se apresentar, com destaque para os principais conjuntos sinfônicos e de câmara brasileiros."

A orquestra dos bolsistas será comandada por três maestros. Na primeira semana, rege o grupo Sir Richard Armstrong, em programa que tem obras de Wagner, Mahler e Dvorak; na segunda, será a vez de Giancarlo Guerrero, com obras de Dvorak, Chapela e Bernstein; e, no terceiro, assume o grupo a maestrina Marin Alsop, com peças de Mozart, Camargo Guarnieri e Bartok. Os concertos serão realizados em Campos do Jordão e na Sala São Paulo; a itinerância pelo Estado, instituída no ano passado, foi abolida. "Para nós parece mais interessante, do ponto de vista de experiência artística, que os músicos se apresentem em um palco como a Sala São Paulo, com maestros de peso."

Os três maestros - assim como o pianista Nelson Freire e o violoncelista Johannes Moser, que serão os solistas dos concertos da orquestra do festival - também participam da temporada da Osesp; da mesma forma, muitos dos professores vêm da orquestra. "Nesse primeiro ano, até por uma questão de tempo, acabamos nos valendo de quem já estaria aqui por conta da temporada da Osesp", diz Nestrovski. A Osesp fará três programas em Campos, entre eles a abertura (Missa Solene, de Beethoven, regida por Thomas Dausgaard) e o encerramento (programa com Ives, Britten, Adams e Shostakovich, com Alsop e o barítono americano Nathan Gunn). Músicos como o violoncelista Antonio Meneses, os pianistas Ewa Kupiec, Nelson Goerner e José Feghali, o flautista Jacques Zoon e o trompetista Ole Edward Antonsen estão entre os artistas convidados, que farão apresentações e darão aulas e masterclasses. A violinista Sarah Chang não dará aulas, mas fará concerto com a Filarmônica Jovem da Colômbia. Entre os grupos brasileiros, estão a Sinfônica Municipal de São Paulo, a Experimental de Repertório, a Sinfônica Brasileira, a Filarmônica de Minas Gerais e a Petrobrás Sinfônica, que vai apresentar a nova ópera de João Guilherme Ripper, Piedade. Ripper, Chapela e André Mehmari darão masterclasses e terão encontros com o público antes dos concertos. Na lista de grupos de fora, o destaque é o Quarteto Vogler, da Alemanha.

A Fundação Osesp fechou parceria com quatro instituições internacionais e receberá delas professores e alunos: Conservatório de Amsterdã, Conservatório Real de Haia, Peabody Institute e a Royal Academy of Music, de Londres. A programação completa está no site

festivalcamposdojordao.org.br.

Artur Nestrovski, diretor artística da Osesp, e Marcelo Lopes, diretor executivo, assumem os mesmos postos em Campos do Jordão. Questionado sobre esta centralização de poder de decisão, o secretário de Cultura Marcelo Araújo afirmou que a saída foi necessária neste primeiro momento. "Mas isso não significa que seja a única possibilidade. Já no ano que vem o festival pode ganhar direção própria dentro da estrutura da Fundação Osesp." Para Lopes, sempre haverá ligação entre o festival e a orquestra. "Mas não há tentativa de agregar poder de maneira vertical." / J.L.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.