Campos do Jordão ampliado

Programação tem maior número de concertos, contemplando todas as épocas e estilos

João Marcos Coelho, ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

 

Quatro semanas de duração; 170 bolsistas; 60 professores brasileiros e estrangeiros; mais de 80 concertos, distribuídos entre São Paulo e Campos do Jordão; nove concertos com a Osesp; presença da Orquestra Sinfônica Brasileira com Roberto Minczuk, Filarmônica de Minas Gerais com Fábio Mechetti, Sinfônica Municipal de São Paulo; e atrações internacionais, com destaque para o inédito duo Antonio Meneses-Maria João Pires e o violinista francês Gilles Apap. O custo dessa ampliação fez o orçamento do Festival de Inverno de Campos do Jordão, que se realizará entre 3 de junho e 1.º de agosto, subir dos R$ 5,3 milhões no ano passado para R$ 6,5 milhões. Desse volume, 60% vão para a parte pedagógica e o restante para a programação de concertos.

O perfil conceitual do mais tradicional festival dedicado à música clássica na América Latina também se altera. Em sua 41.ª edição, adota o mote "A Música e Seus Diálogos", para abranger todos os períodos históricos da criação musical. "Os diálogos se abrem entre períodos e estilos, tradições e culturas, a música e outras artes; a música clássica e romântica mantêm sua forte presença", nas palavras da dupla responsável pelo evento - Paulo Zuben na direção executiva e Silvio Ferraz na direção pedagógica.

Na programação artística, a ideia é retomar o modelo que Eleazar de Carvalho praticou desde 1973. Ou seja, concertos de apelo para o público e com grandes atrações. Assim, brilharão estrelas como Antonio Meneses e a pianista Maria João Pires; a Akademie für Alte Musik de Berlim, o grupo francês Les Musiciens de Saint-Julien e o trio La Gaia Scienza, liderado por Paolo Beschi, todos muito inventivos na prática da música antiga com instrumentos de época; o Quarteto de cordas Arditti, paradigma na música contemporânea, que conta com o brasileiro Ralf Ehlers na viola. Todos eles, além do Quarteto Cidade de São Paulo, atuarão como grupos residentes do Festival, darão aulas e se apresentarão em concertos.

Outros brasileiros são os pianistas Nelson Freire, Caio Pagano, Arnaldo Cohen e Cristina Ortiz, encarregados dos tributos a Chopin e Schumann; o violinista Luiz Otávio Santos e o cravista Nicolau de Figueiredo, eméritos especialistas em música antiga; e o duo de piano e percussão de Paulo Guimarães Álvares e Eduardo Leandro.

A parte pedagógica está bastante reforçada nesta 41.ª edição do Festival. O corpo de professores reflete convênios assinados entre a Tom Jobim e o Conservatório de Paris e a Escola Superior de Música de Colônia, na Alemanha. Entre os destaques, estão o pianista Menagem Pressler, fundador do Beaux Arts Trio; Herbert Mayr, spalla dos contrabaixos da Filarmônica de Viena; o viola Christophe Desjardin, do Ensemble Intercontemporain do Ircam-Paris; o oboísta Albrecht Meyer, primeiro oboé da Filarmônica de Berlim; e inúmeros professores do Conservatório de Paris, como o violoncelista Marc Coppey, o flautista Vincent Lucas, o clarinetista Jérôme Julien-Laferrière, a harpista Geneviève Létang e o compositor Stefano Gervasoni.

PROGRAMAÇÃO

Abertura

Concerto da Osesp regida por Carlos Kalmar e solos do

flautista Emanuel Pahud.

Cristina Ortiz

A pianista faz o recital Scherzades, dedicado às quatro baladas e aos quatro scherzi

de Chopin, intercalados.

Nelson Freire

O pianista faz recital dedicado a Schumann e toca ainda o monumental Concerto n.º 2 de Brahms com a Filarmônica de Minas Gerais regida pelo maestro Fábio Mechetti. A lista de solistas convidados desta edição inclui ainda o violinista francês Gilles Apap (foto).

Duos

Maria João Pires e Antonio Meneses; Paulo Guimarães Álvares e Eduardo Leandro; Luis Otávio Santos e Alessandro Santoro; Dimos Goudarolis e Nicolau Figueiredo.

Conjuntos residentes

Além da Osesp, visitam Campos o Quarteto Arditti, a Akademie für Alte Musik, de Berlim, o Akamus e a Camerata Aberta, entre outros grupos.

Mahler

Regida por Roberto Minczuk, a Orquestra Sinfônica Brasileira interpreta a Terceira Sinfonia; e, com Jamil Maluf, a Orquestra Experimental de Repertório toca o ciclo de canções Des

Knaben Wunderhorn.

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