Camponês descobre mural maia em casebre da Guatemala

Um camponês guatemalteco se tornou o improvável guardião de um valioso patrimônio histórico, após descobrir um tesouro maia na reforma da modesta casa colonial onde vive, nos planaltos da Guatemala.

Reuters

11 Outubro 2012 | 20h54

Lucas Asicona achou os murais de 300 anos ao retirar o gesso que cobria a parede da casa, edificada com pedras, taipa de pilão e tábuas díspares. Cenas de europeus altos, tocando tambores e flautas, apareceram diante da moradia de um só cômodo, onde a família com cinco filhos cozinha, dorme e brinca.

Asicona retirou cuidadosamente os móveis e transferiu seu fogão a lenha para fora da casa, a fim de proteger a obra de arte, transformando-se assim num curador informal do rico passado guatemalteco.

"Tentamos manter as crianças longe dele e impedir as pessoas de tocarem", disse Asicona, de 38 anos, que descobriu os murais por acaso, em 2005. A casa pertence à sua família há várias gerações.

"A casa é muito úmida e algumas cores estão se apagando. O preto começou a virar cinza, e algumas outras cores perderam seu brilho, mas fazemos o que podemos, sem qualquer verba", acrescentou.

Outras três famílias de Chajul, comunidade maia do grupo Ixil que fica a cerca de 350 quilômetros da capital guatemalteca, lutam para preservar murais revelados em suas antigas casas. Especialistas acreditam que outros oito imóveis do povoado possam esconder tesouros semelhantes.

O porta-voz do Ministério da Cultura, Sergio Igax, disse que para as famílias receberem recursos para preservar os murais, as casas precisam ser declaradas como patrimônio nacional, um longe processo burocrático.

Ele disse que o ministério não recebeu nenhum pedido de Chajul para uma avaliação nos últimos anos.

(Reportagem de Mike McDonald)

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