Campeões de baixaria na TV prometem mudar

Nunca mais mostraremos mulheres seminuas, rebolando dentro de saias minúsculas no palco. Abandonaremos piadas infames com minorias. Não exploraremos mais a miséria humana em busca de Ibope. Parece incrível, mas estas são algumas das promessas de produtores e apresentadores de alguns dos programas de auditório da televisão aberta brasileira. Impressionadas com a repercussão da campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, os programas que lideram a lista dos mais apelativos prometem alterar sensivelmente o teor das suas atrações.Nesta corrida contra o show de apelações, saíram na frente Gugu Liberato, no topo da lista de reclamações com o seu Domingo Legal, e o apresentador João Kléber. No entanto, eles não assumem que as modificações tenham ocorrido por conta da campanha. "Em televisão, a gente tem sempre de mudar para acompanhar o gosto do público. E sinto que as pessoas estão mesmo clamando por um outro formato, mais família", diz João Kléber, que tem o vespertino Canal Aberto e o noturno Te Vi Na TV empatados em segundo lugar no ranking da baixaria. "Vou dar um tempo nas pegadinhas. Esta semana comecei a exibir as sitcoms, com comédias rasgadas no formato pastelão, que o público adora. É um quadro de humor, sem nenhum tipo de baixaria, para ninguém colocar defeito", ressalta o apresentador.Em abril, João Kléber chegou a ser notificado pelo Ministério Público de São Paulo para que seu Canal Aberto, exibido nas tardes de segunda a sexta na RedeTV!, tivesse seu horário alterado para depois das 22h. Os promotores paulistas Vidal Serrano Nunes Júnior e Morati Ciocchetti de Souza entenderam que o programa mostrava "cenas de violência, temas sexuais e desvirtuamento e banalização de valores éticos, em notória discrepância do seu horário de exibição". No entanto, após questionamento por parte da RedeTV!, o Ministério Público voltou a analisar as fitas do programa e concluiu que o Canal Aberto está adequado para o horário das 16h50.Na semana passada, foi a vez da equipe de Gugu Liberato. Um de seus assessores particulares se reuniu com o deputado Orlando Fantazzini, titular da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. "Ele disse que vai contratar mais jornalistas para colaborar na elaboração do programa. Gugu também terá dois diretores para buscar uma linguagem nova, menos apelativa", diz Fantazzini. A maioria das reclamações contra Gugu dizia respeito à participação do bailarino Lacraia, dançando o hit Egüinha Pocotó, que ganhou espaço na mídia popular. Procurada pela reportagem do JT, a assessoria de Gugu confirmou o encontro, mas disse que o conteúdo da conversa era sigiloso.Os demais programas citados na lista negra até o momento ignoraram o parecer da campanha. A equipe do Programa do Ratinho, que ocupa o quarto lugar na lista, diz que vai continuar com os polêmicos testes de DNA. A assessoria de imprensa do apresentador diz que encara o quadro como uma prestação de serviço e jamais como exploração da miséria humana. "É só ver o programa. O Ratinho detesta baixaria e explorar corpos de mulheres nuas. As queixas vêm de pessoas que têm preconceito contra ele", diz a assessora.Mesma postura adota a equipe do Domingão do Faustão, que está em quinto lugar. "A pequena quantidade de críticas é uma comprovação de que o programa é bem aceito e de que não há necessidade de grandes modificações", alega a Central Globo de Comunicação.

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