Rede Cultural Beija-Flor
Rede Cultural Beija-Flor promove doações para famílias em vulnerabilidade durante pandemia Rede Cultural Beija-Flor

Campanha ‘Ação Literária’ une cultura e impacto social em tempos de pandemia

Objetivo é engajar pessoas que têm paixão pela leitura em causas sociais; saiba como participar

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 10h00

Alunos do Clube de Leitura da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) realizam uma campanha para promover a literatura e aumentar o engajamento das pessoas nas causas sociais em tempos de pandemia do novo coronavírus. O objetivo é arrecadar fundos por meio da internet até o dia 6 de setembro.

“Diante da situação de vulnerabilidade imposta pela pandemia a diversas famílias, o trabalho das ONGs se tornou ainda mais importante para auxiliar, no momento de crise, aqueles que não são suficientemente amparados pelo Estado. Nesse sentido, estabelecemos como objetivo fazer o que estiver sob o nosso alcance para ajudar na luta contra os efeitos devastadores da covid-19 e a Ação Literária foi uma maneira criativa que encontramos para cumprir nosso papel”, afirma Luíza Benamor, diretora de marketing da FEA Social. 

A presidente do Clube de Leitura, que está comandando a Ação Literária, Ana Laura Prieto, explica que a campanha está arrecadando fundos para a Rede Cultural Beija-Flor. “Ao finalizar o planejamento geral da Ação Literária, precisávamos escolher uma instituição beneficente para a qual destinar o valor que seria arrecadado. Queríamos escolher uma organização confiável e que, de alguma forma, agisse de acordo com a missão do Clube de compartilhar o acesso à cultura. A Beija-Flor é uma instituição reconhecida internacionalmente, com 27 anos de atuação, que atende gratuitamente crianças e jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, esclarece. 

Antes da pandemia, aproximadamente 200 alunos participavam dos diversos cursos oferecidos pela ONG, como informática, design gráfico, inglês, jornalismo, fotografia, capoeira e gastronomia, entre outros. 

Atualmente, em meio à pandemia da covid-19, a Rede Cultural Beija-Flor está fornecendo cestas básicas e kits de limpeza para as famílias de seus alunos, moradores das aldeias indígenas próximas à São Bernardo do Campo e famílias afetadas pelo incêndio na comunidade Sítio Joaninha. “A Ação Literária ainda está arrecadando os recursos por meio da venda das rifas, mas todo esse dinheiro será doado para nós e, assim, transformado nas cestas básicas. Nós da Beija-Flor desejamos distribuir livros junto às cestas mas, infelizmente, ainda não conseguimos fechar nenhuma parceria que doasse os livros. Consideramos de extrema importância, neste tempo de isolamento, manter também a saúde mental”, afirma Denílson de Jesus Silva, gestor de projetos da organização desde 2016.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Na ação de voluntariado educativo, em prol das famílias vitimas do incêndio da comunidade de Vila da Paz de Diadema, que o Artistinha Solidário promoveu nesta semana, em parceria com a RCBF, se mobilizaram várias famílias, entre elas: - Família Borges @erinborgesofficial
 - Família Cavallieri @re_cavallieriofc - Família Spinosa @rodrigo_spinosa e @gustavospinosa - Familia Cursino @ryancursinom - Família D’Addario @maridaddariooficial - Dançarina e coreógrafa Mari Nogueira @marinogueira_2708 - As dezenas de famílias do Condomínio Jardim Leopoldina de São Paulo que doaram roupas brinquedos e livros. - O Colégio Cavallieri de São Paulo que doou material educativo @colegiocavallieri A ação está ainda ainda em andamento e visa acompanhar as famílias até a reconstrução das moradias e a volta à rotina de cada núcleo familiar. Para esta ação de médio prazo outras famílias de artistinhas solidários se mobilizaram, entre elas: - Família Borges @erinborgesofficial - Família Monteiro @malumonteirooficial - Família Guimarães @biaguimaraesoficial - Família Cursino @ryancursinom - Família Leao @giovanna_leao_ - Família Bom @biapbom - Família Tenório @sophietenorio - Família Di Giacomo @marianadigiacomo - Família Passos @clarahpassosoficial - Família Carvalho @laracarvalho_oficial - Família Pili Rabetti @paola_pili_rabetti - Família Rufato @kakarufato

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A Rede Cultural Beija-Flor surgiu a partir da leitura do filme “Pixote, a Lei do Mais Fraco”. “Gregory John Smith, o norueguês que atuava no mundo das artes como Marchand, é impactado por aquelas imagens e história do filme. Assim, em 1992 ele vem ao Brasil ajudar crianças da Praça da Sé. Passa um período de convívio com a realidade das ruas,  identifica as questões e necessidades relacionadas à continuidade do seu projeto, retorna à Noruega, leiloa seus bens, cria a fundação internacional Children At Risk Foundation – Kolibri CARF (Fundação Criança em Risco), nossa principal mantenedora até os dias atuais, e retorna ao Brasil no ano seguinte”, conta Denilson. Muitos desses meninos e meninas acolhidos nos anos 1990 em uma chácara, na beira da represa Billings em Diadema, hoje são adultos e trabalham na ONG como educadores e gestores.

A Ação Literária, promovida por alunos da FEA-USP, entrou em contato com editoras de livros para tornar as doações mais atraentes. “Propusemos uma parceria que possibilitou o sorteio que ocorrerá após o final da campanha de R$100 em livros da editora Lote 42 e R$150 em livros da editora Grua”, ressalta Ana Laura Prieto. 

Existem três tipo de faixas para doação: quem dar R$ 7 concorre a R$100 em livros da Editora Lote 42; quem doar R$10 pode ganhar R$150 em livros da Editora Grua e quem doar R$ 15 concorre aos dois prêmios. Não há limite de doação. Toda a arrecadação é onlinte por meio do link. Em função da pandemia, a divulgação também está sendo realizada apenas nas redes sociais do Clube de Leitura e da FEA Social, além de jornais universitários.  

A campanha Ação Literária acabará no dia 6 de setembro, com o sorteio dos dois vales nas editoras Grua e Lote 42 para os doadores que compraram as rifas. “No entanto, acredito que ela se insere em um contexto muito maior - e que deve não só perdurar até o fim da covid-19, como também deve deixar frutos para o momento pós-pandemia. Na nossa visão, tal contexto é o de jovens universitários que enxergam o seu papel na construção de um novo normal que tem como principais pilares a empatia e a responsabilidade social. Assim, esperamos que a nossa campanha inspire mais estudantes a usarem seus espaços e suas vozes como meio de propagação do impacto positivo”, finaliza a presidente do Clube de Leitura, Ana Laura Prieto.

 

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Doações para combate ao coronavírus chegam a R$ 6 bilhões no Brasil

Valor continua sendo contabilizado pela Associação Brasileira dos Captadores de Recursos

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 10h51

As doações feitas no Brasil para ações de combate ao novo coronavírus ou auxílio para populações mais atingidas pela pandemia chegaram aos R$ 6 bilhões nesta segunda-feira, 20. Os valores estão sendo contabilizados desde o início pela Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR).

Os dados do Monitor das Doações revelam que o País atingiu um recorde de recursos destinados à saúde e projetos sociais desde março deste ano. A área de saúde foi, disparada, a que mais recebeu dinheiro: 78 % do total. Na sequência, os seguimentos de assistência social, com 17%, e educação, com 5%. 

Além disso, as novas informações levantadas pela ABCR, em parceria com a SITAWI Finanças do Bem e apoio do GIFE, Grupo de Institutos Fundações e Empresas, e da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, mostram que 58% das doações foram feitas diretamente para pessoas jurídicas, 24% para instituições e fundações e 10% para pessoas físicas. Do total doado, 56% foi em dinheiro, 35% em produtos diversos, máscara, cestas básica, equipamento hospitalar, por exemplo, e, em terceiro lugar, a doação de serviços. 

Em quatro meses, foram contabilizados mais de 460 mil doadores, com 511 campanhas e 120 lives para arrecadar fundos. “É uma mobilização geral, que envolve toda a sociedade civil, em movimento inédito e por uma única causa: ajudar no combate ao covid-19, seja doando para promover pesquisas, comprar equipamentos médicos, cestas básicas para as famílias mais vulneráveis, construir hospitais, distribuir máscaras e por aí vai”, afirma o diretor-executivo da ABCR, João Paulo Vergueiro. 

O maior montante doado veio das empresas, que contribuíram com R$ 4,8 bilhões, ou 82% do total. O setor financeiro foi o protagonista. Em seguida vieram as lives e campanhas com 8%, indivíduos e famílias com 4%, fundações, institutos e fundos patrimoniais também com 4%. O restante se dividiu entre fundos filantrópicos, administração pública, sindicatos, cooperativas e igrejas.

Para Leonardo Letelier, CEO e fundador da SITAWI Finanças do Bem, os R$6 bilhões revelam a solidariedade do brasileiro. “Há doações por vários canais, desde diretas à pessoas ou ONGs, passando por mecanismos mais sofisticados como fundos filantrópicos. A sociedade demonstrou sua solidariedade neste momento de crise e, mais importante, se tivermos sorte, isso vai deixar como legado uma filantropia um pouco mais organizada e recorrente", espera.

O maior volume de doações aconteceu até o final de maio. Agora é o momento de estabilidade e de pensar na solidariedade permanente. “Não apenas os efeitos da crise gerada pela covid-19 ainda devem continuar por mais tempo, como temos um país continental, cuja população vulnerável e os problemas estruturais ainda são imensos e precisam do olhar atento de toda a sociedade civil e do próprio governo”, alerta a presidente da ABCR, Márcia Woods. 

O ‘Monitor das Doações Covid-19’ foi criado em março de 2020 pela Associação Brasileira dos Captadores de Recursos para acompanhar e mapear as doações feitas em prol do combate à pandemia. É atualizado diariamente pela ABCR com dados públicos, coletados diretamente na internet ou que são enviados pelos doadores. Nenhuma doação é somada se não tiver sido anunciada publicamente – os links são divulgados para conferência. Todos os números referentes aos doadores, campanhas e lives são checados para que não haja duplicidade. Para acompanhar, basta acessar o site.

VEJA TAMBÉM: Personalidades que fizeram doações para ajudar no combate à pandemia

 

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