'Caminhos da Conquista' revela a formação do Brasil

No livro, arquiteto Vallandro Keating produz ilustrações que mostram momentos históricos com fidelidade

Ubiratan Brasil, de O Estado de S. Paulo,

08 de maio de 2008 | 16h45

A formação do povo e a ocupação do território americano sempre despertaram versões históricas antagônicas. Nos anos 1990, por conta da lembrança dos 500 anos da chegada de espanhóis e portugueses à América, falou-se inicialmente em "descobrimento" - assim certas universidades tradicionalistas e alguns governos de países desenvolvidos denominaram esse período, não escondendo seu discurso etnocentrista e colonialista.   Veja também:  Galeria com ilustrações de 'Caminhos da Conquista'    A reação contrária foi imediata: intelectuais de nações emergentes e diversas entidades, especialmente de países subdesenvolvidos, contestaram tal visão, acreditando que a época seria propícia para se lembrar os 500 anos de um genocídio, computando as mortes de índios e escravos negros, sacrificados a favor da expansão do capitalismo pelo continente.   "Falar em ‘descobrimento’ chega a ser maldoso e até ingênuo - como se os habitantes da América, da África e da Ásia fossem apenas elementos animais da paisagem e não seres humanos com suas línguas, religiões, artes e sabedoria", comenta o historiador Ricardo Maranhão. "Por outro lado, denominar processo tão amplo e complexo apenas como ‘genocídio’ é de uma simplificação empobrecedora, embora saibamos, desde as denúncias quinhentistas de Bartolomeu de Las Casas, que houve genocídio sim, e muito, das populações autóctones."   Assim, Maranhão, que já participou de 18 livros de História além de também ter escrito sobre gastronomia, defende um caminho intermediário e mais condizente com os avanços da antropologia e, da arqueologia: para melhor se entender a formação do espaço brasileiro em toda sua riqueza, não se deve falar em "descobrimento" ou em "genocídio", mas em "conquista". "Uma expansão marítima, militar e comercial sem precedentes na história da humanidade só pode realizar-se por meio da atividade sistemática de conquista guerreira, política, ideológica e econômica", defende ele que, depois de inúmeras pesquisas sobre a documentação que retrata aquele momento, escreveu o livro Caminhos da Conquista - A Formação do Espaço Brasileiro (Editora Terceiro Nome, 240 páginas, R$ 96), que será lançado na terça-feira, no Museu da Casa Brasileira. No dia seguinte, no mesmo espaço, será aberta uma exposição com as ilustrações feitas especialmente para a obra pelo arquiteto Vallandro Keating.   Os desenhos, na verdade, têm uma íntima relação com o texto, pois mostram trilhas e caminhos utilizados nas excursões exploradoras, que culminaram tanto no aprisionamento de escravos como na fundação de cidades. "Fizemos um trabalho conjunto, desvendando os documentos que inspiraram ilustrações inéditas", comenta Maranhão.

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