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Calero busca nomear mulheres para 'terceiro escalão' da Cultura

Já estão confirmadas Helena Severo para a presidência da Fundação Biblioteca Nacional e Flávia Piana para chefia de gabinete

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2016 | 19h36

BRASÍLIA - O novo secretário nacional de Cultura, Marcelo Calero, está buscando nomear mulheres para o chamado “terceiro escalão” da pasta. Já estão confirmados os nomes de Helena Severo para a presidência da Fundação Biblioteca Nacional e o de Flávia Piana para a chefia de gabinete.

Com o aceite do diplomata para o cargo, frustrou-se a expectativa de ter uma mulher à frente da Secretaria - uma estratégia do presidente em exercício, Michel Temer, após críticas de que apenas homens foram escolhidos por ele para comandar os ministérios. Cinco mulheres declinaram da proposta, mas Calero - que deixou a secretaria municipal de cultura do Rio de Janeiro para assumir o posto em Brasília - afirmou que não se sentiu "preterido".

“Sou diplomata e um diplomata cumpre missões. O presidente Michel Temer e o ministro Mendonça Filho confiaram a mim esta missão. Com muita honra e procurando fazer sempre o melhor, aceitei o convite”, disse ele, que passou o dia de ontem estudando a nova estrutura da pasta, mas não quis dar detalhes sobre quais cargos seriam mantidos e quais seriam porventura extintos.

Os nomes até agora assegurados por Calero são de mulheres com quem já teve experiência profissional no Rio de Janeiro. A gestora pública Helena Severo, escolhida para a Biblioteca Nacional, já foi secretária de cultura da cidade e do estado do Rio, nos governos de Anthony e Rosinha Garotinho. Em 2003, ela assumiu a presidência do Theatro Municipal, onde ficou até 2006. A produtora cultural é casada com o cientista político Francisco Weffort, um dos fundadores do PT (do qual se desfiliou em 1995) e ministro da Cultura de Fernando Henrique Cardoso.

Flávia Piana já trabalhava como chefe de gabinete de Calero na secretaria municipal do Rio e será mantida na mesma função, agora em Brasília. Especialista em direito processual civil e direito administrativo, a advogada já atua na administração pública há mais de dez anos. Neste período, foi secretária municipal de Administração da prefeitura de Piraquara (PR), assessora jurídica da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude e, no ano passado, já junto a Calero, chefe de gabinete da presidência da Rio450, iniciativa de comemorações aos 450 anos do Rio de Janeiro.

Em coletiva de imprensa para apresentação do secretário, o ministro Mendonça Filho afirmou que se sente “confortável” em ter mulheres trabalhando sob sua gestão. “É sempre bom, mas a linha de ação do governo não é uma camisa de força onde tenhamos que colocar obrigatoriamente mulheres em todas as atividades”. Ele destacou que muitas mulheres estão sendo integradas a posições importantes dentro da pasta, como a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, e a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini.

Antes de se definir o nome de Marcelo Calero, ao menos cinco mulheres relataram ter sido sondadas para assumir o cargo, sendo a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) uma das principais articuladoras dos convites. A atriz Bruna Lombardi, a cantora Daniela Mercury e a jornalista Marília Gabriela agradeceram a lembrança, mas não aceitaram a proposta.

Outras mulheres negaram de forma menos polida, motivadas pela indignação com a incorporação ao MEC das atividades do extinto Ministério da Cultura (MinC). A antropóloga Cláudia Leitão, ex-secretária de Economia Criativa do MinC, escreveu nas redes sociais que não iria “contribuir para a transfiguração do MinC em um apêndice do MEC”. Também sondada, a coordenadora de pós-graduação em Gestão e Produção Cultural na FGV, Eliane Costa, disse que não seria “coveira do MinC.”

                                   

 

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