Caixa luxuosa celebra o gênio do artista

A Masterpiece Collection resgata, em Blu-Ray, 14 clássicos com a marca do mestre do suspense

O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h06

Nos anos 1990, uma pesquisa feita com diretores de todo o mundo apontou Alfred Hitchcock como o maior e o mais influente autor de cinema. Em agosto deste ano, outra pesquisa, do American Film Institute, subverteu velhos conceitos consagrados. Cidadão Kane, de Orson Welles, e O Encouraçado Potemkin, de Sergei M. Eisenstein, que sempre lideraram as pesquisas, deixaram de ser os maiores filmes de todos os tempos e foram substituídos por um novo campeão - Um Corpo Que Cai, Vertigo, do mestre do suspense.

É curioso como em Hitchcock, de Sacha Gervasi, o presidente da Paramount se recusa a financiar Psicose, dizendo que, sempre que Hitchcock quer inovar, o resultado decepciona, e ele cita justamente Um Corpo Que Cai. A obra-prima de 1958 é um dos 14 filmes que integram a Coleção Alfred Hitchcock - The Masterpiece Collection, da Universal. Os longas, produzidos entre 1942 e 1976 e todos remasterizados para que seu brilho audiovisual reluza ainda mais em Blu Ray, são Psicose, Um Corpo Que Cai, Os Pássaros, Janela Indiscreta, Festim Diabólico, O Homem Que Sabia Demais, Cortina Rasgada, Frenesi, Marnie, Confissões de Uma Ladra, Topázio, Sabotador, O Terceiro Tiro, A Sombra de Uma Dúvida e Trama Macabra.

Os puristas vão reclamar que Pacto Sinistro, Ladrão de Casaca e Intriga Internacional, entre outros clássicos, tenham ficado de fora, mas a caixa é imprescindível, principalmente agora que dois filmes - Hitchcock e A Garota - fazem a revisão, não da carreira, mas da própria vida do artista. A psicanálise do homem revela aspectos inusitados de sua personalidade - e da obra. Hitchcock nasceu em Londres, em 1899, e morreu em Los Angeles, em 1980. Começou sua carreira na época do cinema mudo e se adaptou ao falado, incorporando e até antecipando inovações técnicas e estéticas que revolucionaram o cinema. Quando Psicose se revela um fracasso em Hitchcock, sua mulher e roteirista, Alma Reville, pressiona o marido a retomar a montagem, dizendo que é o que ele sabe fazer de melhor. Hitchcock foi um gênio, mas o que Hitchcock e A Garota revelam é o lado sombrio desse gênio. / L.C.M.

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