Caixa de DVDs traz personagens do universo Marvel

Marvelete que se preza volta aocinema só para ver a cena "escondida" nos créditos do filme.Marvelete que se preza não se contenta apenas em discordar dodiretor, mas quer ficar cara a cara com ele para perguntar porque mudou tanto o amado personagem. Esta semana, os marveletes - fãs incondicionais douniverso da Marvel Comics - terão alguns motivos extras para odebate. De olho no "sucessão" que é a terceira versãocinematográfica dos "X-Men", "O Confronto Final", a Fox resolveulançar uma caixa com os personagens recentes da Marvel Comicsque foram levados ao cinema ("X-Men", "Demolidor", "QuartetoFantástico" e "Elektra").Hulk e Homem-Aranha estão de fora Ficaram de fora dois sucessos fundamentais para a caixaser completa: "Hulk" e "Homem-Aranha", que também são Marvel.Mas há atrativos extras. Por exemplo: uma versão anabolizada doprimeiro "X-Men", batizada de "X-Men 1.5", com cenas inéditas. Mas o mais suculento aperitivo da caixa é o DVD "GeraçãoX", que traz um documentário sobre o universo dos X-Men, os maispopulares heróis de quadrinhos da indústria americana. A caixacom seis DVDs é vendida por 139,90 reais. Os outros DVDs, já comercializados, incluem os filmes epersonagens que ajudaram a pôr a Marvel no mapa dos comics (umaempresa que chegou a pedir concordata, em 1997). É o caso do"Quarteto Fantástico", criado por Stan Lee e Jack Kirby, emnovembro de 1961, primeiro grupo de heróis do gênero, e que tema seqüência filmada e pronta para estrear. Com Ioan Gruffudd como Homem-Elástico (ou Dr.Fantástico), Jessica Alba como a sinuosa Mulher-Invisível, ChrisEvans como o aceso Tocha-Humana e Michael Chiklis como O Coisa,o filme é o mais fraco do lote por causa do roteiro meio frouxo,mas houve quem visse grandes qualidades nele. "Numa época na qual os filmes baseados em comic books setornam cada vez mais solenes e sérios, este aqui se contenta emser trashy. Comparado às provas psicológicas e espirituais de´Batman Begins´, o ´Quarteto Fantástico´ se orgulha de ser bobo,barulhento e inconseqüente. Não é uma alegoria, um contoarquetípico de bondade e maldade, ou o equivalentecinematográfico de uma graphic novel. É só um gibi", escreveu,no "New York Times", o crítico A.O. Scott.O Demolidor de Ben Affleck Demolidor, o Homem sem Medo, tem comocalcanhar-de-aquiles um ator sem recursos, Ben Affleck (asgarotas certamente discordarão). Mas é um dos mais fascinantesheróis do universo Marvel, um advogado cego sem superpoderes quese prepara para combater o crime tentando exorcizar a infânciamiserável em Hell?s Kitchen. Foi esse o gibi que projetou um dosmaiores artistas dos quadrinhos, o americano Frank Miller - oprimeiro emprego, nos anos 80, foi tentar salvar a revista do"Demolidor", que naufragava nos Estados Unidos, e ele conseguiu. Elektra é um personagem derivado do Demolidor. A famadela também foi um mérito de Frank Miller, que a tornou, decoadjuvante, a protagonista, moça bela e amargurada em dúvidaentre constituir um lar e matar todo mundo na vizinhança. Naversão para o cinema, "Elektra" recebeu um balde de críticasnegativas, mas quase todas ressaltavam um ponto: a escolha daatriz para o papel foi sob medida. O filme vale pelas panorâmicas em Jennifer Garner dequimono, treinando artes marciais, ou enfiada num jeans do tipoGang, de funkeira carioca, em meio a ninjas inescrupulosos. Elaé a versão antigeométrica de Angelina Jolie, só que a boca temuns quilos a mais de carne. O veterano Terence Stamp como omestre Stick é algo risível, quase doloroso de tão risível.O fenômeno dos X-Men Já os X-Men valeriam uma tese. Os heróis mutantes são umfenômeno inacreditável. Em 1992, um gibi dessa turma de mutantesvendeu 8 milhões de exemplares, um recorde nunca mais batido. Essas versões permitem dois tipos de reflexão. Aprimeira é sobre como essas obras assentadas sobre uma montanhade efeitos especiais sobrevivem umas às outras. Em geral, quandochega um novo filme, o novo está fragorosamente obsoleto. Algunsraros sobrevivem por conta de um conceito, um décor, associaçõesrealistas - é o caso do primeiro "Batman", de Tim Burton. A segunda reflexão é sobre se há noções de sucesso efracasso nessas adaptações de personagens célebres da MarvelComics - uma divisão da Marvel Enterprises, que domina cerca de40% do mercado e tem 16 entre os 20 gibis mais vendidos por mês.Todas são sucesso, na verdade, porque realimentam,continuamente, uma indústria, com produtos menos ou maisbem-acabados. A Marvel é exportadora de simbologia e também deideologia, uma vez que, recentemente, imprimiu mais de 1 milhãode cópias de "Salute Our Troops", um gibi patriótico escrito porBrian Michael Bendis e com arte de Dan Jurgens. Destinado,exclusivamente, a levantar a moral das Forças Armadas americanasno Iraque, "Salute Our Troops" inclui o Capitão América, oQuarteto Fantástico e os Vingadores. Alan Fine, presidente da Marvel Toys & Publishing, foipreciso no discurso de agradecimento ao "cliente", oDepartamento de Estado americano. "Nós achamos que essa é aplatéia mais apropriada para se divertir com a ação e a aventurade nossos super-heróis - pessoas reais que fazem sacrifíciostodo dia para proteger os direitos e a democracia que todosabraçamos."E vêm aí...Duas seqüências Marvel estão acaminho. Dirigido por Sam Raimi, o "Homem-Aranha 3" chega em2007 e enfrentará quatro vilões de uma vez (Venom, Duende Verde,Sandman e outro não revelado). O herói usará uniforme negro nolugar do vermelho tradicional. O "Quarteto Fantástico" tambémretorna, com o mesmo elenco e um mito dos quadrinhos na tela: oSurfista Prateado (personagem preferido de Richard Gere em "AForça de Um Amor"). "Haverá tensão entre o Homem-Elástico e oSurfista", avisou a atriz Jessica Alba.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.