Antonio Milena/AE
Antonio Milena/AE

Cai o preço do livro, indica pesquisa

Produção de volumes cresceu; faturamento de editoras estacionou; 52.509 títulos foram publicados em 2009

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2010 | 15h15

O preço médio do livro no Brasil manteve uma tendência de queda e, no ano passado, apontava R$ 11,11, pequena redução em relação a 2008, que era de R$ 11,52. Por outro lado, a produção total de volumes cresceu em 2009, chegando a exatas 386.367.136 unidades.

 

"Mesmo assim, o faturamento das editoras continua estacionado nos últimos quatro anos", observou Sônia Jardim. Ela é presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) que nesta terça, 10, em parceria com a Câmara Brasileira do Livro, apresentou os resultados da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, tradicional diagnóstico sobre a saúde do mercado, agora com dados relativos a 2009.

 

De uma forma geral, os números foram favoráveis. "Mesmo com a crise mundial, manteve-se a tendência de queda no preço médio do livro, além de um expressivo crescimento na produção total de livros", observou Rosely Boschini, presidente da CBL, entidade que organiza a Bienal Internacional do Livro, cuja 21.ª edição abre as portas na sexta-feira para o público, no Palácio das Convenções do Anhembi. De fato, no ano passado, a indústria nacional produziu 386,4 milhões de exemplares diante dos 340,3 milhões editados em 2008. "Como a crise econômica praticamente não influenciou a produção de 2009, esperamos neste ano, com o mercado mundial recuperado, que os números sejam infinitamente melhores."

 

A pesquisa é realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, cujos dados foram baseados nas respostas de 693 editoras, que responderam a questionários online. "Neste ano, acrescentamos uma novidade que é a venda direta na internet, ou seja, por livrarias com atuação exclusivamente virtual", comentou Leda Maria Paulani, coordenadora do estudo e professora-titular da FEA-USP. Pelos dados coletados, a participação desse canal de comercialização é de 2,25%, número ainda ínfimo se comparado com a participação das livrarias (42,44%) e das vendas diretas (40,18%). "Mesmo assim, não são dados tão precisos, pois as informações vieram das editoras - o ideal é apurar diretamente com as livrarias", observou Leda.

 

Autores nacionais. Outra boa notícia foi o aumento de obras assinadas por autores nacionais - segundo a pesquisa, em 2009 foram editados 46.703 títulos de escritores brasileiros, contra 44.503 no ano anterior, um aumento de 4,94%. Já as cifras de obras traduzidas caiu (de 6.626 em 2008 para 5.807 no ano passado). "São várias as explicações", comenta Sônia Jardim, do Snel. "Com a sombra da crise econômica, especialmente no primeiro semestre do ano passado, as editoras concentraram suas apostas em poucos autores estrangeiros, justamente aqueles que garantem best-sellers. Isso abriu brecha para o lançamento de mais escritores brasileiros, cuja negociação com os direitos autorais é menos complicada."

 

O assunto, aliás, toma mais vulto no momento em que o Ministério da Cultura estimula consultas públicas sobre modificações na Lei do Direito Autoral. "Qualquer melhora evidentemente é bem-vinda, mas nossa preocupação é em relação ao encaminhamento das discussões, que privilegiam o setor musical, cujos problemas são muito distintos dos nossos", afirmou Rosely, temerosa de uma possível flexibilização na aplicação da lei. "É preciso avaliar sobre qual caminho é o melhor a seguir, ou seja, deve-se privilegiar o direito pessoal do autor e garantir a comercialização de sua obra ou, por outro lado, promover o direito de acesso da sociedade, que é justa, mas de uma forma que comprometa a remuneração do mercado?"

 

Política do governo. Também a inclusão do livro digital em pesquisas futuras não foi descartada. Embora a porcentagem de venda ainda seja ínfima no Brasil, a ponto de não influenciar nos dados, tanto a CBL como o Snel admitem um futuro crescimento em sua importância. "Por isso que a política governamental será decisiva", acredita Sônia. "Como o Brasil ainda detém uma média baixa de índice de leitura (4,7 livros lidos no País por habitante durante um ano), é preciso que o governo organize programas de estímulo na criação de jovens leitores. Com isso garantido, vai ser indiferente a presença de livro em papel ou digital no futuro, pois o interesse pela leitura estará preservado."

 

A participação do governo, aliás, sempre decisiva no bom faturamento das editoras, foi menor no ano passado: uma queda de 3,98% em relação a 2008. "A explicação está na concentração da compra em livros para o ensino fundamental, que normalmente são mais baratos", comenta Leda Maria Paulani. Já o setor de obras científicas, técnicas e profissionais apresentou um crescimento considerável. "Trata-se de uma reação ao boom de universidades em todo o País."

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