Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Caetano e filhos põem Vale do Anhangabaú para cantar na Virada Cultural

Para um público estimado em 160 mil pessoas, músico mostra o show 'Ofertório', que enfrentou problemas como o vazamento do som de outros palcos

Redação, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2019 | 00h50

Com um público estimado em 160 mil pessoas, segundo a Secretaria Municipal de Cultura, Caetano Veloso e seus três filhos abriram com a celebrada Alegria Alegria o seu show no palco principal da Virada Cultural, no Vale do Anhangabaú. 

Boa parte do público pareceu surpresa com a quantidade de canções calmas, mas Caetano pode ter liderado um dos grandes momentos da Virada. O show Ofertório não teve a pressão de uma apresentação solo. Houve, assim, momentos de muita dispersão, sobretudo como a própria Ofertório, canção que o músico fez para a mãe, Dona Canô, linda e inspirada, mas não para ser tocada ali.

Muita gente se movimentou para deixar o Anhangabaú nessa hora. Mas outro tanto chegava e engrossava a multidão.

O show delicado, acústico, cheio de silêncios foi prejudicado pelos sons de outros palcos que se misturavam ao que se podia ouvir de Caetano. Talvez, isso tenha ocorrido em função das dimensões do local do palco. Mas ele demonstrou força para lidar com isso, e um silêncio impressionante se impôs quando Caetano, Moreno, Zeca e Tom cantaram Todo Homem – uma mágica de pai com filhos dominando milhares de pessoas.

Durante a apresentação, parte da plateia chegou a ensaiar um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. Mas Caetano, sem falar nada, começou a cantar Baby sob os aplausos do público. 

O Vale do Anhangabaú tem talvez o maior espaço livre para receber multidões no centro de São Paulo. A grande dificuldade é a segurança. A polícia não tem pontos de infiltração para fazer seu trabalho. O ambiente se torna inseguro. Jovens parecem andar em grupos para observar celulares e bolsas que podem ser roubados, criando certa tensão no ambiente.

Crianças. A Virada começou às 18h, com o Palavra Cantada, formado por Paulo Tatit e Sandra Peres. O duo também se apresentou no palco do Vale do Anhangabaú. Com um repertório dedicado ao público infantil, a dupla fez uma versão mais enxuta de seu habitual show, mesclando músicas de seus discos, com direito a pot-pourri de hits como Rato, Sopa e Bolacha de Água e Sal.

Atraso. O show da cantora carioca Teresa Cristina só começou às 19h05, uma hora depois do previsto, no palco da Avenida São João, o MPB/Samba, por problemas na arrumação do local. Houve até um princípio de vaia na plateia. 

Ao subir ao palco, Teresa Cristina se desculpou: “Estávamos aqui desde cedo, mas precisaram de mais tempo para arrumar o palco. Mesmo não sendo nossa culpa, peço desculpas”. Ela começou então pedindo que a plateia a seguisse em uma oração chamada Ave Maria Preta, que passava pelas abençoadas Dona Ivone Lara, Dandara e Maria Quitéria. Teresa fez um show impecável, não jogou com o populismo e teve a plateia nas mãos até o final.

Gospel. Aos 23 anos, a cantora gospel Priscilla Alcântara é o nome celebrado pelo público jovem que foi ao novo palco da Música Cristã, na Praça da Sé. 

Priscilla mostrou seus sucessos, que foram cantados por uma plateia bastante emocionada. O ponto alto da apresentação foi com Priscilla fazendo cover de Shallow, de Lady Gaga, música do filme Nasce Uma Estrela. / ADRIANA DEL RÉ, JULIO MARIA, LEANDRO NUNES

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