Caché, outro enigma de Haneke

A Filha do Presidente

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h12

15H55 NA GLOBO

(First Daughter). EUA, 2004. Direção de Forest Whitaker, com Katie Holmes, Marc Blucas, Amerie Rogers, Michael Keaton, Margaret Colin.

Filha do presidente dos EUA, Katie Holmes só quer levar a vida de uma garota comum. Ela se apaixona, mas o cara pode ser o agente do serviço secreto responsável por sua segurança. O ator Forest Whitaker, de Bird e O Último Rei da Escócia (que lhe deu o Oscar), tem se aventurado na direção em filmes de ambição menor, mas suas comédias românticas não são destituídas de certo charme. E ele dirige bem atores. Até Katie Holmes está bem. Reprise, colorido, 106 min.

Mil Anos de Orações

22 H NA CULTURA

(A Thousand Years of Good Prayers). EUA, 2007. Direção de Wayne Wang, com Henry O, Pasha D. Lychnikoff, Feihong Yu, Vida Ghahremani.

O horário da Mostra resgate o filme do sino-americano Wang sobre chinesa radicada nos EUA e que recebe a visita do pai. Ela acaba de se divorciar e seu estilo de vida entra em litígio com o pai que não a perdoa por haver desertado da China comunista. Mas ele se envolve com uma divorciada iraniana e termina por compreender melhor a filha. Os apresentadores Cunha Jr. e Renata de Almeida conversam sobre o filme (e seu autor) com a diretora Lígia Cortez. Reprise, colorido, com legendas, 83 min. Na sexta, a emissora reapresenta o programa, mas dublado.

O Cara

23 H NA REDE BRASIL

(The Man). EUA, 2005. Direção de

Les Mayfield, com Samuel L. Jackson, Eugene Levy, Luke Goss.

Quando seu parceiro é morto e fica provada sua ligação com o crime, o policial Samuel L. Jackson torna-se suspeito. E agora ele tem 24 horas para tentar resolver o caso, antes de ser indiciado. O ator é bom, o diretor nem tanto. Suas comédias tendem a ser inócuas, e esta não foge à regra. Inédito, colorido, 84 min.

TV Paga

Stelinha

19 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 1990. Direção de Miguel Faria Jr., com Ester Góes, Marcos Palmeira, Ana Beatriz Nogueira, Lília Cabra,

Ilva Niño, l, Paulo Reis, André Barros, Chico Expedito.

Ester Góes faz cantora decadente, que vive afundada na bebida. Um roqueiro cuja mãe era tiete da antiga rainha do rádio resolve reerguer a carreira de Stelinha, mas não é fácil lidar com a baixa estima que a empurra para uma depressão permanente. O diretor Farias Jr. fez história no Festival de Gramado ao ganhar todos os prêmios, menos o de melhor ator, no evento. Melhor filme (para os três júris - oficial, do público e da crítica), melhor diretor, roteiro, atriz, coadjuvante, som, etc,, Stelinha levou tudo. E não se trata de um grande filme. Foi muito mais uma circunstância - o governo Collor havia acabado com o cinema brasileiro e não havia nada, além de Stelinha, para premiar. Reprise, colorido, 100 min.

Caché

19H55 NO TELECINE CULT

(Caché). França/Áustria, 2005.

Direção de Michael Haneke, com

Juliette Binoche, Daniel Auteuil,

Maurice Bénichou.

A história de um casal comum (embora nem Daniel Auteuil e muito menos Juliette Binoche o sejam). O marido recebe vídeos sobre seus movimentos, e coisas tão íntimas que sugerem que o sistema de vigilância da casa foi invadido. Ele acredita saber quem está por trás de tudo. O caso envolve um incidente do passado e a narrativa toma outros rumos quando ocorre uma morte brutal. O austríaco Haneke é um misantropo, que não acredita muito no humano nem na vida em sociedade. Os críticos e agora o público, porém, acreditam em seu cinema e ele fez o sucesso que os cinéfilos sabem com Amor, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro (e segue em exibição na cidade). Amor tem aquele final em aberto, que cabe ao espectador (de)codificar. O de Caché não é menos enigmático, e desde a exibição do filme no Festival de Cannes anima interpretações até mesmo contraditórias. Reprise, colorido, 117 min.

Os Saltimbancos

22 H NO TELECINE CULT

(Man on a Tightrope). EUA, 1953.

Direção de Elia Kazan, com Fredric March, Gloria Grahame, Terry Moore, Cameron Mitchell, Andolph Menjou, Richar Boone.

Considerado um filme menor do grande Kazan, Os Saltimbancos situa-se, na obra do autor, entre duas obras maiores - Viva Zapata! e Sindicato de Ladrões. Quando fez o primeiro, ele afirmou sua crença revolucionária por meio do líder mexicano - e o conceito da revolução permanente agradou principalmente aos trotskistas. Alguns críticos sustentam que foi para limpar sua barra perante o macarthismo que Kazan contou a história do circo que tenta fugir da Checoslováquia, isto é, do comunismo. Fredric March é o manager que banca o equilibrista na tentativa de levar seu pequeno grupo de artistas para a liberdade. O filme tem seus momentos de brilho e intensidade, mas é uma das obras menos prestigiadas do cineasta. Existem críticos que o consideram um equívoco, e que não ajudou Kazan. Ele colaborou com a Comissão de Atividades Antiamericanas e, na sequência, fez Sindicato de Ladrões, que não é, como muitos pensam, uma justificativa para a sua delação. Reprise, reto e branco, 105 min.

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