Cacá Carvalho estreia espetáculo 'Umnenhumcemmil' em SP

Para discorrer sobre o novo espetáculo de Cacá Carvalho seria possível evocar as máscaras que um ator incorpora ao longo da vida e o desejo de livrar-se delas. O leitor mais atento, contudo, poderia recordar que há pouco mais de uma semana foi exatamente esse o mote que abria o texto sobre o mais recente trabalho do grupo Lume.

AE, Agência Estado

10 de agosto de 2012 | 10h42

Não se trata de falta de imaginação de quem escreve. Não apenas disso. Mas das coincidências entre as motivações que movem hoje toda uma geração de intérpretes. Gente que alcançou a fama, a maturidade, o reconhecimento. E, de repente, quer saber o que existe para além de todos esses rótulos. Afinal, somos o que julgamos ser? Ou da maneira como os outros nos veem?

Com "Umnenhumcemmil", o percurso de Cacá se assemelha ao do Lume. Também lembra o caminho empreendido pelo grupo mineiro Galpão, que abandonou o teatro popular, em que trafegava com tanta segurança, para lançar-se à aventura de fazer Chekhov segundo os princípios do construtivismo russo.

Na montagem, que Cacá Carvalho estreia nesta sexta-feira no Sesc Bom Retiro, o veterano ator se coloca em zona de risco. Recusa o sucesso para confrontar-se consigo mesmo. Deixa evidente uma profunda inquietação com sua condição de artista, sua pretensa identidade. "Esse texto ecoa muito forte em mim", comenta. "Você começa a discutir essa relação entre pessoa e personagem e, de repente, vai embora tudo que é máscara", observa.

"Umnenhumcemmil" marca uma parceria de quase 25 anos com o diretor Roberto Bacci, da Fondazione Pontedera, da Itália. É ainda sua terceira incursão pela obra de Luigi Pirandello: antes vieram "O Homem com a Flor na Boca" (1993) e "A Poltrona Escura" (2003). "Umnenhumcemmil" parte do último e mais celebrado dos romances de Pirandello. Conta a história de Vitangelo Moscarda. Um dia sua mulher lhe diz que seu nariz parece pender para a direita. Natural. Só que ele nunca se havia dado conta disso. Essa prosaica observação serve como estopim para uma crise existencial. Diante dessa descoberta, Moscarda decide abandonar a própria vida. Abre mão da fortuna, destrói o banco que recebeu de herança, passa a agir de forma estapafúrdia, tentando sempre contrariar a imagem de bom homem que os outros têm dele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

UMNENHUMCEMMIL

Sesc Bom Retiro (Alameda Nothmann, 185). Telefone (011) 3332-3600. 6ª, 20 h; sáb., 19 h; dom., 18 h. R$ 24. Até 23/9.

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