Cabul, claro enigma

A diretora artística da Documenta 13, Carolyn Christov-Bakargiev, estava orgulhosa por sua edição do evento ter estabelecido parceria com Cabul (Afeganistão) e Cairo-Alexandria (Egito). Mas mesmo em Kassel, na mostra principal da Documenta 13, no museu Fridericianum, o Oriente Médio, uma das áreas mais conturbadas do planeta, é tema de uma série de obras.

KASSEL, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2012 | 03h09

Uma ação pontual, a do italiano Alighiero Boetti, que fez seu Um Hotel em Cabul entre 1971 e 1977, quando morou na cidade, se tornou não apenas um mote para a curadora falar de corpo e localidade, mas também para a participação do mexicano Mario Garcia Torres. Ele não só leva obras de Boetti como apresenta a videoprojeção Have You Ever Seen The Snow? (2010), ensaio em que faz busca, via web, pelo hotel do artista italiano no Afeganistão e o encontra. É um trabalho de elucubrações sobre a região.

A polonesa Goshka Macuga também se volta para Cabul na grande colagem de uma imagem digital em preto e branco, uma vista panorâmica de um enigmático evento na cidade - nela, um grupo de pessoas observa uma cobra. Os elementos da obra abrem a possibilidade do imaginário, mas fundem referências culturais e históricas já conhecidas. Ainda é possível citar outra obra da exposição em que a cidade é tema, a dupla videoprojeção da americana Mariam Ghani, A Brief History of Collapses (2012), em que ela põe lado a lado planos sequências com narrativa sobre dois palácios destruídos e reconstruídos - o próprio prédio do museu Fridericianum, bombardeado na 2.ª Guerra, e o Dar ul-Aman em Cabul, em destroços até hoje. / C.M.

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