Cabeça em Cuba, os pés em Manhattan

Em 1968, o escritor Edmundo Desnoes teve seu livro Memórias do Subdesenvolvimento transformado em obra-prima pelo cineasta Tomás Gutiérrez Alea. Depois, o cubano Desnoes foi morar nos Estados Unidos e lá deu seguimento à sua história, agora batizada com o título de Memórias do Desenvolvimento. Esta parte foi agora adaptada pelo cineasta Miguel Coyula.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2010 | 00h00

No primeiro filme, o clássico, temos o personagem Sergio (Sergio Corrieri), um intelectual cubano que não compreende muito o sentido da revolução, mas não quer deixar a ilha. O típico homem dividido.

Em Memórias do Desenvolvimento vemos Sergio maduro, professor em Manhattan. Num filme cheio de efeitos especiais e uso um tanto indiscriminado de colagem de imagens, Coyula procura confrontar a geração de Sergio com a dos jovens cubanos, que não viveram a revolução. É, também, o embate de Sergio e sua posição problemática (nem contra nem a favor dos barbudos), em sua relação com o mundo do século 21.

Desnoes não gostou muito do resultado. Diz que o filme de Coyuloa, "em lugar do desenvolvimento do personagem, apresenta cenas curtas, fragmentos dominados mais por truques técnicos e vivências isoladas do que pelo aprofundamento do personagem". É essa, talvez, a linguagem da juventude, que percebe o mundo em fragmentos fugazes, lamenta.

Verdade, há certo exagero no estilo modernoso de Coyula. Mas que não tira de Memórias do Desenvolvimento sua pungência e beleza.

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