Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Cabeça e voz do Baixo Augusta

Cérebro Eletrônico traz nova fornada de canções de Tatá Aeroplano

Guilherme Werneck, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2010 | 01h00

Na próxima sexta, dia 22, o Cérebro Eletrônico faz o show de lançamento de seu terceiro disco, Deus e o Diabo no Liquidificador, no Studio SP. Nenhum outro lugar em São Paulo é mais adequado para receber a banda.

Tatá Aeroplano, de 35 anos, a mente por trás do Cérebro, é DJ residente da casa do Baixo Augusta há anos, e a banda se apresenta por lá regularmente.

O Baixo Augusta é o lugar da cidade onde Tatá fica mais à vontade hoje. Paulistano que passou a adolescência em Bragança Paulista, Tatá tinha medo de São Paulo. Voltou para cidade para fazer faculdade, e demorou um ano para redescobri-la e se apaixonar por sua vida cultural paulistana.

É ao redor da parte central da Rua Augusta que estão muitos dos lugares onde Tatá discoteca música brasileira e rock - sua principal fonte de renda vem das três vezes por semana em que fica atrás dos pick-ups. E é na Augusta também a loja de Maurice Plas, onde compra seus famosos chapéus. Muita gente sustenta que foi Tatá que trouxe o chapéu de volta à moda. Controvérsias a parte, o fato é que é raro vê-lo sem um paletó com camiseta e sem chapéu. Mania aprendida com seu avô.

"Uso chapéu até quando estou em casa. Tenho uns 10 chapéus e umas 20 boinas. Mas a verdade é que, no fundo, uso sempre o mesmo. Chapéu é como namorada, você não troca a toda hora", diz. Mesmo sem ser fashion, Tatá tem lá suas manias. "Todo ano vou à Hering e compro camisetas de todas as cores da coleção", conta.

O tempo que economiza por não ter de se preocupar com o guarda-roupas, gasta em música. Cérebro Eletrônico é só uma das bandas em que toca, a que recebe suas canções mais autorais. Paralelamente, Tatá canta e toca seus brinquedos no Jumbo Elektro e tem dois projetos com Paulo Beto: a banda Frame Circus, que faz música para filmes mudos antigos, e a Zero Um, que mistura rock e eletrônica.

Novas ondas cerebrais. Deus e o Diabo no Liquidificador é um disco bem mais roqueiro do Cérebro Eletrônico, e reflete as mudanças recentes da banda. O tecladista Dudu Tsuda e o baixista Isidoro Cobra deixaram o grupo no ano passado.

"O Dudu já estava meio fora. Até o lançamento do Pareço Moderno (disco anterior do Cérebro) ele não fez com a gente. Ele tava em um processo difícil, com mil projetos. A gente estava fazendo muito show e ele não conseguia ir. Como somos superamigos, conversamos e foi uma saída numa boa. O TRZ veio para os teclados", conta Tatá. "E, no meio do ano passado, o Isidoro quis dar um tempo de música. Foi mais complicado, a gente não esperava. Para o seu lugar, pensamos no argentino, do Seychelles, um cara muito legal. Ele tem mil projetos mas topou."

No novo disco, o papel do guitarrista Fernando Maranho cresceu. Além de compor parte das música com Tatá, ele co-assina a produção. "Nós tocamos juntos há 15 anos e existe uma sintonia muito grande. É muito legal quando você é fã do cara que toca com você."

Tocar com amigos, é uma premissa para Tatá. "Ter uma banda não é mais um business como antigamente. Hoje nós vamos fazer um disco porque temos tesão de gravar. E amizade é fundamental."

CÉREBRO ELETRÔNICO

Studio SP.

Rua Augusta, 591, tel. 3129- 7040. Sexta, 23 h. R$ 20

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