Como você chegou a Bachiana nº 1? Assistindo ao espetáculo fica a impressão de que é uma trilha bastante adequada para o encontro desses dois estilos, o pendor clássico da companhia e a sua marca.

Entrevista com

12 de abril de 2012 | 03h10

Na verdade, a minha primeira ideia foi fazer as Cirandas. Poderíamos até ter o piano ao vivo. Mas as Cirandas eram um pouco mais longas do que o que eles tinham pensado. Eu pensei então na Bachiana n.º 1, uma obra que eu conheço muito e da qual havia uma gravação da Osesp, com o Antonio Meneses. Parecia perfeito. E tinha muito a ver com o que eu achava que devia fazer para a companhia.

Você está falando do encontro desses dois universos?

Sim. Você diz ver ali uma marca minha, mas nem era essa a minha intenção. Acho que não devo fazer para outras companhias o que faço com o Corpo. Porque senão vira uma réplica.

E uma réplica enfraquecida, porque, afinal não é o Grupo Corpo, mas uma companhia muito diferente.

Claro. Os bailarinos do Corpo têm essa convivência corporal com o que eu faço. Agora, a SP Cia. de Dança possui uma técnica brutal, uma técnica clássica. Então, eu lancei mão disso, do que eles tinham de melhor. E a Bachiana, que não é uma música popular, ajudou a conduzir para esse outro lado.

Você já tinha feito um pas-de-deux com o segundo movimento da Bachiana nº 1. Essa nova obra é muito diferente?

Completamente diferente. Esse pas-de-deux que eu fiz se chamava duo. Isso foi em 1984 e partiu de uma versão diferente que o (Leopold) Stokowski. Leopold fez para o segundo movimento da Bachiana. Como grande maestro que era, ele se deu ao luxo de mudar a partitura de Villa-Lobos.

Você diz que quando vai criar para uma outra cia. não lhe interessa repetir aquilo que faz no Corpo. Qual é, então, o seu ponto de partida? É tentar descobrir quais são as potencialidades desse conjunto?

Exatamente. Mas é algo que levei muito tempo para descobrir. Eu já fiz muita besteira porque não sabia disso. Criei agora um trabalho em Nova York, com uma cia. moderna, e tive que lançar mão de outra abordagem. / M.E.M.

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