As apostas apontam vitória do austríaco Amor, de Michael Haneke, mas o Oscar de filme estrangeiro costuma surpreender. É apoiado nessa possibilidade que a equipe do chileno No vai estar presente hoje à noite no Dolby Theatre. A candidatura tornou a história mais conhecida e fez com que aumentasse o número de cópias exibidas pelo mundo. Protagonista da trama, o ator mexicano Gael García Bernal participou, na manhã de sexta-feira, em Los Angeles, de um encontro com a imprensa mundial. Ele falou ao Estado.

Entrevista com

24 Fevereiro 2013 | 02h07

É possível avaliar a chance de vitória do No?

Acho que a mesma que dos outros concorrentes. Parece resposta pronta, não? Aquela para despistar, mas sinceramente acredito em chances igualitárias, pois fazia muito tempo que o Oscar não reunia candidatos tão próximos um do outro em termos de qualidade. E mesmo que alguma parte da crítica aponte o favoritismo de Amor, eu não vejo assim.

O que o atraiu nesse filme?

Foi justamente o inusitado da história. Sempre procuro participar de filmes que não apenas tenham alguma mensagem a divulgar, como também pelo ineditismo da trama. E No, ainda que baseado em acontecimentos reais, conta uma história fascinante e incrível. Ah, também há outro detalhe: finalmente contracenei com alguém menor do que eu, que é o garoto que faz meu filho (risos).

Você já participou de diversos tipos de produção, tanto mexicanas como americanas e até com o brasileiro Walter Salles. Como foi integrar essa equipe chilena?

Fiquei impressionado com um detalhe: parecia uma família. Novamente, parece aquele tipo de resposta protocolar, mas sou sincero. Fiquei impressionado com a forma integrada com que todos trabalhavam, desde as funções mais discretas até chegar a Pablo (Larraín, o diretor). Quando me perguntam sobre os motivos que explicam tal sucesso hoje do cinema chileno, respondo que está no encontro do talento com a organização. É um formato americano de se produzir, mas com um jeito muito particular, que só nós, latinos, sabemos fazer.

Esse é o quinto filme do qual você participa que concorre

a alguma categoria do Oscar - começou com Amores Brutos, em 2000, e passou por O

Crime do Padre Amaro (2002), Diários de Motocicleta (2004)

e Babel (2006).

Todos os filmes com um grande vigor estético, com narrativas intrigantes e que refletem nosso mundo atual. Daí No se encaixar bem nessa série. Mas, antes que você me pergunte se me transformei em um veterano do Oscar, respondo já que não - sempre é a mesma sensação de primeira vez.

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