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Ricardo Pretti fala sobre a confecção do drama Os Monstros

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2011 | 00h00

Ricardo Pretti veio a São Paulo, trazido pela distribuidora Vitrine, de Sílvia Cruz, para prestigiar o lançamento de Os Monstros. O filme foi realizado a quatro mãos por Ricardo e seu irmão gêmeo Luiz, mais os primos Parente, Pedro Diógenes e Guto. A ideia era trazer o quarteto, mas Ricardo é o primeiro a ironizar - "Sabe o que são quatro passagens Fortaleza/São Paulo/Fortaleza? São mais que o orçamento de nossos filmes."

O coletivo Pretti/Parente é responsável por Estrada para Ythaca, já exibido na cidade - e também distribuído pela Vitrine. O filme venceu o Festival de Tiradentes do ano passado, confirmando a importância da Mostra Vitrine como vitrine (também ela) das novas tendências autorais do cinema brasileiro. A produtora é a Alumbramento e Alumbramento também é o nome do coletivo no qual surgiram Pretti/Parente. "No coletivo, éramos 14, e não apenas de cinema. Havia gente de música, teatro, dança, artes plásticas."

Ele admite que se decepcionou um pouco com a reação do público de São Paulo. "Isso aqui é tão agitado que eu pensei que haveria mais receptividade para o trabalho alternativo da gente. Os filmes terminaram indo melhor em Fortaleza e no Rio." Ambos são expressões da nova cena existente no Ceará? Uma cena forte? "Depende do que você chama de forte. Não é tão forte como aqui, mas é vigorosa e está produzindo coisas muito interessantes."

A dança é muito forte na cena de Fortaleza, mas o curioso é que se liga mais a uma vertente de Cabo Verde. "Temos linha direta, menos de quatro horas de avião ligando o Ceará a Cabo Verde. A cultura e a dança transitam por essa linha."!

Os filmes nasceram na raça, no amor. "Aos 19 anos, eu escrevia muito. Poesia, crônica. Produzia muito. Continuo produzindo, mas hoje são roteiros. Eles me interessam como ferramenta de trabalho para os filmes."

Ricardo Pretti avaliza uma declaração de Claire Denis na entrevista acima. Homenageada do Indie 2011, Claire diz que a economia do cinema é tão decisiva quanto o roteiro na definição do que será o filme. Ricardo Pretti concorda. Embora os filmes da Alumbramente - do quarteto - tenham sido feitos, até agora, a troco de nada, isso não se baseia em nenhum preconceito. "Tem filme de arte que acho muito chato, por exemplo, o Lola, do Brillante Mendoza. E adoro A Casa do Lago, com Sandra Bullock."

A Alumbramento produz atualmente um filme de baixo orçamento, que os quatro não assinam. Eles próprios estão indo para a Mostra Cine BH, em busca de apoio para um novo projeto ambicioso - O Último Trago. "Vai ser o nosso blockbuster", brinca. Para ele, Os Monstros é uma obra de transição, e transformação. "Conscientemente, a gente investe mais, aqui, na mise-en-scène."

OS MONSTROS

Direção: Guto Parente, Pedro Diógenes, Luiz e Ricardo Pretti. Gênero: Drama (Brasil/ 2010, 81 min.). Censura: 12 anos.

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