Burton de volta à infância

Diretor recria seu mundo sombrio no novo Frankenweenie

ROMAIN RAYNALDY / AFP, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h10

Sete anos após A Noiva Cadáver, Tim Burton está de volta à animação. Frankenweenie, que estreia nos Estados Unidos amanhã, é um filme autobiográfico, uma homenagem ao cinema e aos seus monstros, que Burton criou a partir de suas lembranças de infância.

A ironia deste Frankenweenie é que, em 1984, o então animador Tim Burton filmou, para a Disney, um curta-metragem de mesmo nome. O resultado foi considerado sombrio demais e ele foi demitido. Décadas mais tarde, com Burton de volta, Alice No País das Maravilhas rendeu milhões de dólares para o estúdio e carta branca para que ele trabalhasse em um remake.

A história é a mesma. O garoto Victor Frankenstein, apaixonado por ciência, descobre um meio de reviver seu cão Sparky - que foi morto por um carro. Porém, ao contrário do antecessor, o novo Frankenweenie é um stop motion sem cores e em 3D.

"Era preciso ser preto e branco e em stop motion. É difícil de explicar, mas isso deixa o filme mais emotivo", explica Tim Burton na apresentação do filme, na Disneylândia. "Se o estúdio quisesse fazê-lo colorido, eu teria recusado."

A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack também foram feitos em stop motion, uma das técnicas de animação mais antigas - e trabalhosas - do cinema. Nela, os quadros (24 por segundo) são elaborados e registrados um a um, criando uma sequência que compõe o filme.

"Há um lado 'à antiga'. É tátil, é concreto. Muitos daqueles que trabalham com stop motion amam precisamente o fato de que nada mudou tecnologicamente (desde a invenção da técnica)", afirma.

Com Frankenweenie, Tim Burton também faz uma homenagem ao universo dos filmes de terror que ele acompanhou quando criança. Uma referência clara é Frankenstein, já que Sparky é revivido com remendos de seu corpo.

O cineasta reconhece também o aspecto autobiográfico do filme. "Cresci com a impressão de que ninguém me entendia, de que eu era diferente. Mas, ainda assim, me achava uma pessoa normal."

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