Bueno lança em Portugal livro sobre o descobrimento

O livro A Viagem do Descobrimento, o maior sucesso de vendas do Brasil na área de história, está sendo publicado em Portugal, contrariando a opinião dos principais responsáveis pelas comemorações da viagem de Cabral ao Brasil. Apesar de ter vendido mais de 212 mil exemplares no Brasil, o livro de Eduardo Bueno, lançado hoje em Lisboa, não conseguiu a chancela da Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.Na revista Oceanos de abril, publicada pela comissão portuguesa, é feita uma resenha do livro com o título Rasgos de Veracidade, assinada por Tiago Miranda, adjunto do comissário dos descobrimentos. No texto, o livro é apresentado como de menor qualidade, "com menos rigor e resultados comerciais a curto prazo autenticamente invejáveis".Segundo a porta-voz da comissão, Dora Ribeiro, o organismo não tinha de dar apoio ao lançamento do livro: "Não entra no âmbito do trabalho da comissão, porque o público que atingimos é diferente, o grupo trabalha para um público científico; a única coisa em termos de divulgação que nós fazemos é material didático para crianças."Dora conta que a comissão ajudou Bueno quando ele fez programas de televisão sobre o Descobrimento. "Demos apoio ao programa do GNT, tanto no plano logístico quanto no material." Apesar da polêmica, a previsão da editora portuguesa Pergaminho é de sucesso. "O livro sai com uma tiragem inicial de 5.000 exemplares", diz Bueno. Em Portugal, uma edição de livros de história geralmente tem apenas 2.000 exemplares.A edição deve se esgotar, prevê o escritor: "O livro começou a ser distribuído no sábado e apenas com os pedidos das livrarias já pensam numa segunda tiragem." Quando escreveu o primeiro livro, em abril de 98, Bueno esperava que Viagem fosse vender 20.000 exemplares. "O que ocorreu foi um milagre, que eu atribuo mais ao interesse de querer saber história do que aos meus méritos."O escritor não faz previsões sobre as vendas do livro na edição portuguesa. "Se o que aconteceu no Brasil se repetir em Portugal, vou passar a acreditar em Deus mais do que acredito."O livro despertou interesse na imprensa portuguesa. Num único dia Bueno deu sete entrevistas para os principais jornais, rádios e canais de TV do país. "O editor da revista Focus portuguesa disse-me que o livro mudou a forma como vê a história de Portugal."A edição portuguesa teve algumas adaptações para a versão européia do idioma. Entre as mudanças ortográficas estão a retirada do acento em palavras como "ideia", a colocação de cem palavras como "acto" e "facto" e p em "óptimo".A Pergaminho foi a segunda editora portuguesa a se interessar por Viagem do Descobrimento. A editora Gradiva começou as negociações para publicar o livro durante a feira de Frankfurt do ano passado, mas desistiu. "O contrato exigia que publicássemos os três volumes da coleção e nós preferimos não arriscar; o que íamos fazer com o encalhe se o primeiro volume não desse certo?", pergunta Guilherme Valente, proprietário da Gradiva.Bueno conta que em Frankfurt editoras de vários países mostraram interesse em publicar o livro: Espanha, França, Japão, China, Austrália, Itália, Estados Unidos e Inglaterra. "Nos EUA vai sair pela Random House e na Inglaterra pela Bloomsberry, com as editoras da Austrália e da Itália está quase tudo fechado."Atraso - O quarto livro da série de sete que Bueno se propôs a escrever, com o título de Salvadores Homens do Rei, está atrasado: "Era para ser entregue em 30 de março, mas depois eu me dei um prazo já vencido; vai ter 180 páginas e já escrevi 120." Agora, o prazo para terminar o livro, que terá como tema a fundação de Salvador e instituição do governo geral, é o fim de janeiro.Os outros três livros previstos vão aparecer com os títulos de França Antártica - sobre a invasão francesa do Rio de Janeiro -, Os Piratas do Sertão, sobre os bandeirantes paulistas, e Brasil Holandês, sobre a invasão holandesa em Pernambuco.

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