BRUCKNER ABRE O ANO

A Orquestra Experimental de Repertório abre domingo no Teatro Municipal sua temporada, unindo Mozart e Bruckner sob a regência do maestro Jamil Maluf. Do primeiro, serão interpretadas a abertura da ópera O Rapto do Serralho e o Concerto para Piano n.º 23 (com solos de José Feghali); e, do segundo, a Sinfonia n.º 6.

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h31

Para Maluf, unir Mozart e Bruckner em um mesmo programa ajuda a "mostrar a versatilidade da orquestra no tratamento de dois estilos distintos, mas que beberam da mesma fonte da música vienense em diferentes épocas". "Em Mozart, transparência, luminosidade e senso de equilíbrio são as chaves para dar a essa música o tratamento orquestral adequado. Já em Bruckner, ao contrário, trabalha-se com grandes blocos de densidades contrastantes e diferentes estados anímicos, quanto à construção melódico/ harmônica. Portanto, juntar esses dois extremos é enfrentar, como intérprete, um fascinante desafio estilístico", diz Maluf ao Estado.

Visto com desconfiança por músicos e público durante muito tempo, Bruckner (1824-1896) conquistou nas últimas décadas espaço entre os grandes nomes da tradição sinfônica. A Sexta Sinfonia é de 1879, escrita em um momento no qual outras obras do gênero, como a terceira sinfonia, recebiam críticas duras. "Não concordo com aqueles que colocam Bruckner em estado de devoção wagneriana. Sua música habita um universo próprio, que tem origem no fato dele ter sido organista, portanto, habilidoso no manejo das diferentes massas de densidade sonora. Do ponto de vista temático, o contraste entre as seções de um movimento sinfônico também está sempre presente, e é usado por Bruckner para tecer magistralmente os longos períodos de variações desses temas", explica Maluf sobre a produção do compositor, para em seguida determinar a importância da sexta sinfonia nesse contexto. "É uma obra arrojada, em que Bruckner conduz os ouvintes por labirintos harmônicos nunca mais desenhados em nenhuma de suas demais obras. Sua longa duração - ela tem aproximadamente 65 minutos - é uma prova de força para sopros e cordas da orquestra."

A Experimental de Repertório fará este ano nove programas diferentes, além da ópera The Rake's Progress, de Stravinski. Maluf dividiu a temporada em séries temáticas e ressalta a presença de artistas como Maria Gadú (na série Outros Sons) ou dos violinistas Kristof Barati e Luiz Filip Coelho; a realização de um concerto para crianças com a Cia. Imago - e um concerto dedicado à música contemporânea brasileira, com a primeira audição de laçoentrelaço, de Flo Meneses, e o Concerto para Piano e Orquestra, de Willy Corrêa de Oliveira, com Horácio Gouveia ao piano. / J.L.S.

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