Alex Araújo/ Estadão
Alex Araújo/ Estadão

Bruce reverencia Raul Seixas em show competente

Às vésperas dos 64 anos, Springsteen põe carisma à prova em São Paulo e leva público ao delírio com a sua E Street Band

Lucas Nóbile, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2013 | 02h05

Prestes a completar 64 anos, na segunda-feira, dia 23, Bruce Springsteen abriu nessa quarta-feira, 18, seu show em São Paulo de maneira bem populista (e deu certo), com Sociedade Alternativa, de Raul Seixas.

Na sequência, o que se veria seria um repertório muito parecido com o que ele apresentou no dia 14 na Argentina, onde tocou We Take Care of Our Own, seguida de Badlands, Death to My Hometown (de seu álbum mais recente, Wrecking Ball, lançado em 2012), entre outras.

No show, que deve ter a mesma espinha dorsal no Rock in Rio - onde ele se apresenta no sábado, 0h05, no Palco Mundo -, Bruce convence não só pela perenidade de suas composições e pela sua guitarra inconfundível, mas também por seu enorme carisma. Alguns exemplos disso? Ele atravessou boa parte da pista do Espaço das Américas, na zona oeste da capital paulista, conduzido pelas mãos do público, levou cartazes da plateia para o palco e beijou a barriga de uma gestante, virou um copo de cerveja num gole só para delírio de coxinhas e tiozões, etc.

Companhia. No repertório, levado de forma competente pela E Street Band, que acompanha Bruce praticamente desde o início da carreira do roqueiro (e lá se vão mais de 40 anos), alternaram-se poucos temas do disco mais recente com inúmeros hits, com a marca do folk, do country e do rock.

Apesar da entrega de Bruce, mesmo em alguns de seus sucessos o coro do Espaço das Américas (longe de estar lotado) era surpreendentemente baixo, acompanhado de poucas palmas. No Rock in Rio, para um público muito maior (cerca de 85 mil pessoas), vai ser mais difícil ainda prender a atenção da plateia.

O coral mais encorpado aconteceu na infalível Because the Night. O público também não deixou de vibrar quando um rapaz pediu a namorada em casamento no palco, com a bênção de Bruce.

Ainda teve tempo para coreografia de toda a banda com o Boss e coro na bela melodia de Waiting on the Sunny Day, a música que marcou o momento mais emocionante do show. Nela, Bruce levou ao palco uma garotinha da plateia, dividiu o microfone com ela e a carregou nos ombros. Foi ovacionado.

A banda que acompanha Bruce segue à risca o perfeccionismo exigido pelo chefe, mas com o longo tempo de apresentação os arranjos ficam repetitivos, sempre com um solo de um dos instrumentos de sopro.

Retorno. Há 25 anos sem vir ao Brasil, Bruce deixou o palco por volta das 23h30, muito aplaudido, e retornou para um bis com We Are Alive, um country rock que começou apenas com ele ao violão.

Bruce Springsteen guardou um de seus maiores sucessos, Born in the USA, para o bis. E ainda incendiou a pista com outro hit, Dancing in the Dark. Incansável, Bruce voltou ainda para um segundo bis. Ele se desculpou por ter demorado tanto tempo para voltar ao Brasil. "Estivemos aqui em 1988. Não esperávamos voltar e ter uma recepção tão calorosa. Nós voltaremos muito em breve", disse Bruce, que foi reverenciado com o coro "Olê, Bruce".

Uma noite para provar a vitalidade do chefe do rock, que demonstrou ter mais pique do que o próprio público com suas habituais três horas de show.

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