Bruce Gomlevsky encarna Cyrano de Bergerac no CCBB

Nem sempre é fácil se livrar de um personagem. Durante cinco anos, Bruce Gomlevsky cedeu corpo e voz para tornar-se Renato Russo. Na pele do vocalista do Legião Urbana, o ator protagonizou o monólogo musical no qual reproduzia seu comportamento, sua forma de cantar, a barba e os óculos característicos, seu fim prematuro. A biografia teatral fez tanto sucesso - foram mais de 200 mil espectadores -_ que manteve Gomlevsky no palco mais tempo do que o esperado. Mas em 2011, ele decidiu, era a hora de "fazer algo completamente diferente".

AE, Agência Estado

02 de dezembro de 2011 | 11h02

Diferente, sim. Mas com alguns traços em comum. Neste sábado, o ator estreia no Centro Cultural Banco do Brasil como protagonista de "Cyrano de Bergerac". Um herói mais antigo e mais narigudo do que o ídolo pop. Porém, igualmente dado a versos, a rasgos de rebeldia e arrebatamentos românticos. "É mais um poeta, um utópico. Alguém que luta pelos seus ideais usando o verbo", considera Gomlevsky, que também assina a produção da montagem.

Era um sonho antigo viver Cyrano no teatro. Um plano que o intérprete acalentava pelo menos desde os anos 1990, quando assistiu ao filme estrelado por Gérard Depardieu e dirigido por Jean-Paul Rappeneau. Para pôr de pé a atual versão, o ator conseguiu mobilizar outros dois devotos do cadete francês: o tradutor Marcos Daud, acostumado a verter obras clássicas para o português, e o diretor João Fonseca, que fez questão de encontrar uma brecha na agenda cheia para encenar o texto. "É uma peça que eu sempre quis fazer", diz Fonseca. "E muito oportuna para este momento do País. Uma comédia romântica capaz de tocar em questões como ética, honra, honestidade."

Impetuoso, Cyrano de Bergerac não se intimida com nada. Com o florete em punho e a língua ferina desafia os poderosos, os hipócritas, os covardes. Na criação do francês Edmond Rostand (1868-1918), o militar só não tem coragem suficiente para declarar seu amor à sua bela prima Roxane (Julia Carrera).

Com as palavras, Cyrano passa a ajudar o rival, Christian de Neuvillete (Sérgio Guizé), a conquistar sua amada. Inicialmente encantada com a beleza do rapaz, Roxane não percebe que as cartas enamoradas que recebe são, na verdade, obra de Cyrano. "É um amor que só se realiza por meio da palavra", lembra o ator.

Existe também um percurso da personagem feminina, algo que a atriz Julia Carrera encara como um amadurecimento de Roxane. "O que era, a princípio, o fútil interesse por um homem bonito se torna algo que ultrapassa as aparências", diz ela. "Ao fim, Roxane acaba apaixonada pelo que lê", considera o diretor.

No afã de superar o que considera uma falha em sua aparência, Cyrano pretende ser admirável em todo o resto. Eis o pretexto para que o autor movimente uma fábula na qual convivem comédia, romance e aventura. Seu protagonista é um idealista, um homem que, de tão íntegro, beira a ingenuidade. Sempre disposto a sacrificar sua felicidade individual pelo bem alheio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cyrano de Bergerac - CCBB (Rua Álvares Penteado, 112). Tel. (011) 3113-3651, metrô Sé. 6ª e sáb., 19h30; dom., 18 h. R$ 6. Até 5/2. Estreia sábado.

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