'Bróder!', filme de Jeferson De, vai mostrar periferia de SP

O escritor Ferréz, autor de Capão Pecado, e o grupo Racionais MCs, filhos ilustres do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, já deram o sinal verde. Responsáveis por tentar fazer com que a região apareça mais nos cadernos de cultura e menos nas páginas policiais, eles leram o roteiro e assinaram embaixo de um novo filme que, depois de Tropa de Elite, deve fazer novo barulho em uma periferia do País. Bróder!, primeiro longa de Jeferson De, se passará no Capão Redondo e suas filmagens devem começar no fim de novembro. No elenco, atores de apelo entre o público, como Caio Blat, Taís Araújo, Ailton Graça, Zezé Polessa e Juca de Oliveira. Como o próprio diretor assume, apesar do baixo orçamento, trata-se de uma estréia de luxo: além do elenco ''estelar'', Jeferson tem como parceiros a Globo Filmes e a Columbia Pictures. Quem espera uma versão paulistana de Tropa de Elite, com a Tropa de Choque substituindo o Bope, vai se decepcionar. "É um filme de ficção para emocionar. Acho que discussões sociológicas e antropológicas podem acontecer na escola. Não faço um filme achando que ele vai resolver problemas", explica o diretor de 39 anos. Negro, filho de dona de casa e torneiro mecânico, Jeferson saiu de Taubaté para fazer cinema na Universidade de São Paulo. Com amigos, fundou o Dogma Feijoada, grupo que reivindica presença maior de negros na frente e atrás da câmeras, desde que não de maneira estereotipada. Bróder! traz no roteiro uma história de amizade entre três amigos de infância, vividos pelos atores Jonathan Haagensen (Cidade de Deus), Silvio Guindane (ator de Vidas Opostas) e Caio Blat, que será o protagonista, apelidado de Macu (de Macunaíma). Nas palavras do diretor, será "um branco que se acha negro". O fato de representar um morador de uma determinada periferia - uma realidade distante da sua - fez com que, antes mesmo das filmagens, Caio Blat começasse a freqüentar o Capão, o que acabou por levantar boatos de que o ator moraria na região por uns tempos, algo que ele desmente. "Eu devo alugar um apartamento na Cohab apenas para descansar entre as cenas." No entanto, não esconde a intenção de usar a vivência no bairro como laboratório. "Tudo isso parte de uma grande insegurança, uma responsabilidade de representar um lugar, milhões de histórias verdadeiras. Cada quebrada tem um pensamento diferente, uma atitude diferente." Sua imersão no universo do Capão parece estar dando certo. Blat foi acolhido de vez pela comunidade e conquistou a simpatia até do recluso rapper Mano Brown e seus colegas. As informações são do Jornal da Tarde

AE, Agencia Estado

16 Outubro 2007 | 14h14

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