"Brindance" faz turnê pelo Brasil

Para quem entende a dança como uma forma de pensamento e de atitude e não apenas como uma simples troca de passinhos, poderá conferir sábado e domingo, no Sesc Anchieta, Gilles Jobin com o espetáculo Braindance. O coreógrafo suíço, em turnê pelo Brasil, falou de Salvador à reportagem e contou um pouco de seu trabalho engajado com questões políticas, seu compromisso com a qualidade dos movimentos e, claro, sobre a coreografia.Braindance é uma peça que trata sobretudo dos corpos; corpos manipulados, corpos utilizados, corpos maltratados, corpos clinicamente manipulados", explica Jobin e afirma: "Sou fascinado pelos corpos em todos os seus estados, até mesmo a utilização política de um corpo". Como exemplo o coreógrafo cita os guerrilheiros colombianos mortos pelo Exército. "Eram corpos nus, expostos à imprensa estrangeira como objeto de vitória sobre o inimigo", impressiona-se.Nesse trabalho, Jobin brinca com o tempo e usa a lentidão dos movimentos para criar um tempo distendido, como se estivesse esticado as horas e os minutos com um elástico. "O espectador perde a noção do tempo que passa, os passos são densos e reforçam o impacto das imagens", diz. Nesse contexto, a música tem um papel importante no desenvolvimento do espetáculo. A trilha sonora é complexa e ao mesmo tempo básica. "Sem o som a tensão não seria completa e a música funciona como o sexto intérprete".Para compor Braindance, Jobin seguiu a tendência européia, que parte do tema para criar movimento. "O passo inútil foi substituído pela reflexão". Trabalha com a improvisação, mas exige dos bailarinos um engajamento artístico.Gille Jobin. Sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 10 e R$ 20. Teatro Sesc Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245, tel. 256-2281

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