Brincadeiras à moda antiga

O inglês Conn Iggulden comenta sobre O Livro Perigoso para Garotos, que se tornou best-seller

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Surpresa. Editor vacilou em publicar obra, agora um sucesso              

 

 

 

 

Conn Iggulden não esconde a procedência britânica - alto, quase consegue o dom da invisibilidade tamanha discrição de seus gestos. É quando fala que ele comprova sua procedência, pois Iggulden cultiva o típico humor inglês, aquele que surpreende o ouvinte por não saber ao certo se se trata de uma piada ou não. Autor do best-seller O Livro Perigoso para Garotos (Galera Records, tradução de Maria Beatriz de Medina e Gustavo Mesquita, 320 páginas, R$ 69,90), escrito em parceria com o irmão Hal, Iggulden é um dos principais convidados estrangeiros da 21.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Seu primeiro encontro com os leitores aconteceu na sexta-feira, quando o escritor desfiou sua ironia. "Claro que eu preferia ter escrito a saga Harry Potter, pois estaria rico hoje", disse o autor que, em conversa com o Estado antes do evento, também comentou sobre a sua sorte. Afinal, O Livro Perigoso para Garotos foi escrito quase que como uma brincadeira, pois Iggulden apostava suas fichas em sua série histórica, em que tratou de imperadores como Julio César. "Confesso que fui pego de surpresa pois meu temor de fracasso aumentou quando meu editor vacilou em publicar a obra."

Mas, tão logo chegou às livrarias, o livro estourou em vendas. O motivo é o próprio conteúdo, que resgata brincadeiras antigas, típicas de moleques pré-internet. Algo como construção de casas em árvores ou escrita com tinta invisível. Iggulden conta que, ao lado do irmão Hal, buscou reavivar as ensolaradas tardes de verão, em que os divertimentos exigiam mais da força física que a simples manipulação manual de joystick. "É por isso que o livro primeiro interessou aos pais saudosos", comenta Conn. "E não é de se surpreender pois, como pai, tenho me preocupado com a tendência de superproteger as crianças durante a educação. Sempre acreditei que os garotos precisam aprender a correr riscos."

Como era muito específico para o público inglês, a versão americana sofreu algumas alterações, removendo seções e acrescentando outras. O mesmo se passou na versão brasileira, com a inclusão de mapas e de histórias de personagens como Santos-Dumont e os irmãos Villas-Boas. "A cor local é essencial para a imediata aceitação, embora a maioria das brincadeiras seja universal."

O que ainda intriga Iggulden é o fato de os direitos do livro terem sido comprados por um estúdio de cinema. "Quero ver como vai ser feita a adaptação."

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