Brigitte Bardot recebe sua quinta condenação por racismo

Ex-estrela de cinema foi multada em R$ 37,5 mil por incitar o ódio racial ao insultar muçulmanos

Reuters,

03 de junho de 2008 | 11h24

Um tribunal de Paris multou a ex-estrela de cinema Brigitte Bardot em 15 mil euros (cerca de R$ 37,5 mil) nesta terça-feira, 3, por incitar o ódio racial ao insultar muçulmanos. Esta é a quinta condenação da atriz em 11 anos por acusações semelhantes. Brigitte, que hoje é militante pelos direitos dos animais, vem repetidamente fazendo críticas à festa de Eid al-Adha, durante a qual os muçulmanos fazem o sacrifício de uma ovelha. Mas ela também já criticou outras tradições muçulmanas e a imigração de países islâmicos. Sua condenação mais recente se deve a um folheto publicado em 2006 sobre a questão do Eid al-Adha, no qual ela descreveu a comunidade muçulmana na França como "esta população que está nos destruindo, que está destruindo nosso país por nos impor seus atos". A promotoria tinha recomendado que Brigitte fosse condenada a dois meses de prisão além da multa, mas a corte não acatou a recomendação. Brigitte, que tem 73 anos e diz que não tem condições físicas de viajar, não estava presente quando foi anunciada a decisão do tribunal. Além da multa, a atriz terá que pagar indenização simbólica por danos a várias organizações que combatem o racismo. O tribunal também decidiu que o veredito contra ela terá que ser publicado no boletim de sua fundação de defesa dos direitos dos animais. O advogado de Brigitte Bardot, François-Xavier Kelidjian, disse que é pouco provável que ela apele contra a sentença, porque já está cansada de julgamentos. "Ela acha que estão tentando silenciá-la, mas ela não se deixará silenciar em sua defesa da causa dos animais", disse ela. Brigitte já foi multada quatro vezes desde 1997 por incitar o ódio racial. Os valores das multas foram aumentando gradativamente de 1.500 para 5 mil euros. Símbolo sexual dos anos 1950 e 1960, a atriz loira protagonizou filmes influentes como E Deus Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim, e Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard. Quando jovens, os Beatles se disseram seus fãs, e o compositor francês Serge Gainsbourg, que foi seu namorado, fez uma canção sobre Brigitte que virou grande sucesso. Desde que se afastou das telas, porém, Brigitte Bardot se tornou uma figura cada vez mais controversa, cuja campanha em prol dos direitos dos animais vem perdendo espaço para seus ataques verbais contra gays, imigrantes e desempregados.

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