Brian Wilson e Bon Iver: os dois lados de um festival

Crítica: Roberto Nascimento

O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2012 | 03h07

JJJJ ÓTIMO

JJJJ ÓTIMO

Longe do decepcionante show dos Beach Boys no primeiro dia do Jazzfest (Brian Wilson tocava piano com cara de guaxinim empalhado e o uso de playback era nítido), encontrava-se, do outro lado do festival, uma plateia jovem concentrada em canções de gestos quase religiosos.

Tratava-se da música de Justin Vernon, líder do Bon Iver, curiosamente um herdeiro distante das harmonias vocais do grupo californiano. A banda tocava versões adaptadas para o palco de seu folk intimista, que lhe rendeu um Grammy na categoria revelação em fevereiro, com o disco Bon Iver, Bon Iver. A linha entre o piegas e o espiritual mostrava-se fina durante a execução de canções emotivas como Beth/Rest, mas é trilhada com tato por Vernon.

No segundo dia, o mesmo palco recebeu a cantora canadense Feist, que mostrou canções de seu último disco, Metals, de cunho mais introspectivo do que seus outros influentes trabalhos. Faltou algo que nos levasse além de vocais meigos e precisos, de batidas e arranjos que, desde o sucesso de The Reminder, de 2007, se tornaram clichês. Feist alcança isto no novo disco, mas ainda há de fazê-lo ao vivo.

Já Sam Beam, do Iron & Wine, apresentou o outro grande show alternativo do Jazzfest. Em sua melhor forma, o cantor e compositor envolve canções em sonhos de folk etéreo, com reluzentes solos de mandolins ao fundo. No sábado, o competente soul man Cee Lo Green se apoiou na força de seus hits para contagiar a plateia.

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