''Brian é o meu marido musical''

Ninguém o cita com a mesma intensidade de seu companheiro, Brian Molko, mas o Placebo que faz show hoje também é de Stefan Olsdal

Aline Stivaletti, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Ao lado do vocalista e guitarrista Brian Molko, o baixista Stefan Olsdal forma a espinha dorsal do Placebo. Apesar de Molko ficar mais nos holofotes pela posição privilegiada no palco, Olsdal não fica atrás. Ele começou a carreira musical em 1987, tocando bateria na banda da escola. Mas logo percebeu que o baterista não é tão glamouroso quanto os frontmen. O baixo passou a ser o alvo de suas atenções. Com uma Fender Precision (que ele copiou de Steve Harris, do Iron Maiden), ele começou a desenvolver mais seu lado poser. Foi quando conheceu Molko em 1994 e juntos montaram a finada Ashtray Heart, que hoje nomeia a terceira faixa do último trabalho da atual banda.

Cunhado em 1995, o Placebo já acumula seis CDs e duas vindas ao Brasil. O grupo de glam rock alternativo chega a São Paulo hoje para única apresentação, com o novo baterista Steve Forrest na atual formação. Apesar da vinda corrida, o baixista sueco Olsdal arranjou tempo para conversar com o Estado.

É a terceira vez de vocês no Brasil. O que esperar deste show?

Eu e Brian temos uma nova banda conosco dessa vez, que inclui violino, um novo baterista e um guitarrista. Estamos fazendo a turnê do Battle For The Sun há um ano e estamos animados com o show no Brasil. É um álbum que realmente funciona no palco, com guitarras bem pesadas.

Para muitos fãs, o CD Battle for The Sun mostra que vocês estão em uma fase mais... "alegre". Foi essa a mensagem que vocês quiseram passar com este trabalho?

É muito fácil rotular uma fase de sua vida com apenas uma palavra. Nós não fazemos um plano do que o álbum será, e as músicas funcionam em diferentes níveis de emoção. Em resposta ao nosso álbum Meds, que é um CD pesado, nós procuramos dessa vez fazer algo que oferecesse um pouco mais de esperança para o ouvinte. Algo com um pouco mais de cor.

Vocês têm um histórico de produzir trabalhos a cada dois ou três anos. Como o último CD (Battle For The Sun) é de 2009, já estão escrevendo novas músicas para um novo álbum?

Nós somos muito sortudos em não sofrer de bloqueio artístico. Há algumas músicas já na fila? Nós estamos no meio da turnê agora, mas tentamos entrar no estúdio sempre que podemos. Agora mesmo eu não posso esperar por fazer um novo álbum...

Que bandas têm influenciado você ultimamente?

Four Tet e Yeasayer estão no meu iTunes agora. Mais eletrônico e pop do que o que nós do Placebo fazemos.

Qual o playlist do show? Músicas como Nancy Boy, que vocês não tocam há algum tempo, podem estar nesta lista?

Nós temos a tendência em ter dificuldade com algumas das músicas antigas, especialmente como Nancy Boy e Pure Morning! Nós precisamos ter uma conexão com as músicas que tocamos, senão nós nos sentiríamos como macacos performáticos. Misturamos algumas músicas do Battle For The Sun com algumas antigas e até com algumas inéditas.

Você e Brian têm uma relação? polêmica. Você acha que estão atingindo a maturidade, após 16 anos juntos? Qual é o estágio atual da banda?

Estar em uma banda proporciona muitas coisas, mas definitivamente não maturidade. Brian é o meu marido musical e ele ainda realmente me excita.

Placebo. Credicard Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955, 2846-6000. Hoje (17), 22 h. R$ 100/R$ 300

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