Brendan Benson mostra a joia fina do power pop

Parceiro de Jack White nos Raconteurs mostra seu artesanato sonoro anticomercial, na fronteira entre o ardido e o doce

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h10

Pela primeira vez no Brasil, Brendan Benson (que vem a ser parceiro de Jack White nos Raconteurs), toca hoje no Cine Joia com sua banda. O pretexto é o repertório de seu novo disco, What Kind of World, mas Benson tem muito mais o que mostrar. É um quase veterano do chamado power pop (que teve ícones como Elliott Smith), uma música entre o doce e o ardido. O cantor e guitarrista mudou-se há alguns anos para Nashville, e seu som atual trai esse contato com as matrizes da música americana, do country ao bluegrass.

Ele, que tem seu próprio selo (Readymade, em homenagem ao artista de vanguarda Marcel Duchamp), concorda que Nashville esteja sendo fundamental em sua fase. "É um lugar que convida a criar música constantemente. É incontável o número de artistas incríveis. Conheci, por exemplo, The Howlin' Brothers logo após perguntar pela melhor banda de cordas de Nashville para tocar num disco de Cory Chisel. E em decorrência daquilo acabei produzindo o álbum deles, que está fazendo grande sucesso nos estados Unidos. Essa é a parte divertida. Toda essa música grandiosa tende a provocar a criação de mais música. É uma explosão", disse ele ao Estado.

Benson, de 42 anos, é um artista cultuado por artistas: além de Jack White, Beck já andou dizendo que ele é seu cantor preferido. Sobre o amigo White, ele diz o seguinte: "Nossa relação é muito orgânica. Ambos vivemos em Nashville e somos parte do mesmo círculo de amigos, e nossos filhos brincam juntos, coisas desse tipo. Estamos em contato estreito, e quando a música acontece ela simplesmente acontece. Às vezes, vem entre as agendas de cada um de nós".

Sua amizade começou quando White inventou de recrutar músicos para tocar na abertura da sua banda de garagem favorita, The Greenhornes. Ele chamou Benson e mais uns camaradas e montou um "grupo" que chamou de Jack White & the Bricks, que fez um show único na vida num boliche, o Garden Bowl, em Detroit. Em 2004, Jack White baixou de novo na casa de Benson em Belle Isle, no lado leste de Detroit, para saber o que estava rolando. Benson estava compondo, Jack White fez o verso final e viraram um grupo com mais dois músicos do Greenhornes, The Raconteurs.

What Kind of World, o novo disco de Brendan Benson (seu quinto álbum solo), tem participações de uma galáxia de astros indie, como Posies, Loudermilk, Pistol Annies e Young Hines, e um tempero um pouquinho mais sombrio do que seus trabalhos anteriores, mas ele diz que o seu lado dark sempre esteve por ali. "Estou em um patamar diferente do que no passado, porque agora tenho uma família e me estabeleci em Nashville. Mas eu curto todos esses aspectos de minha vida, então isso não é necessariamente uma nova fase, porque eu me vejo mudando o tempo todo", afirmou.

O cantor afirmou que tudo que conhece do Brasil vem de informações que colhe dos amigos, especialmente da banda Queens of the Stone Age. "Então, suponhamos que eu tenha as mais altas expectativas", brincou. Ele só disse uma frase solene, e foi sobre seu ídolo George Jones, morto em abril. "Foi definitivamente uma perda. Felizmente, a música e o legado dele estão vivos."

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