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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Brecht contra o autoritarismo

Nossos octogenários são o que há, incansáveis no ofício, busca permanente no teatro

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2019 | 03h00

Pode ser Eva Wilma ou Antônio Petrin, José Celso Martinez Corrêa ou mesmo Nathalia Timberg, que em agosto saiu do clube ao cravar 90 anos. Nossos octogenários são o que há, incansáveis no ofício, busca permanente no teatro. Agora é vez de Renato Borghi. Depois de sair da peça Molière e continuar apresentando Romeu e Julieta 80 com Miriam Mehler (84!), estreia novo espetáculo no Sesc Consolação em 16 de novembro, ao lado de Georgette Fadel e Elcio Nogueira Seixas. Trata-se de O Que Mantém um Homem Vivo? – a partir de textos de Bertolt Brecht e adaptados por ele e Esther Góes no anos 1970, quando foi encenada pela primeira vez. Com Borghi, também diretor da montagem, não tem pra ninguém.


UMA VELHA OLIVETTI 

A peça foi escrita pela dupla Borghi-Góes, no início dos anos 70, em uma máquina de escrever Olivetti – e foram os originais deste texto datilografado que Borghi e Elcio encontraram há poucos meses nos arquivos de sua companhia, a Teatro Promíscuo. Decidiram pela remontagem, mantendo inclusive a trilha original, composta por músicas de Kurt Weill, Hanns Eisler, Paul Dessau e Jards Macal. Só mudaram o maestro: antes era Paulo Herculano, agora é Gilson Fukushima. Essa é a terceira vez que Borghi volta com a peça; a segunda foi no início dos anos 1980. Em tempo. À pergunta feita pelo dramaturgo alemão – Afinal, o que mantém um homem vivo? – é o próprio Bertolt Brecht que responde de bate-pronto: “Um homem é um homem e ele é muito difícil de destruir”. 


VELHA NOVA ESTREIA 

O Sesc Avenida Paulista dá início a uma nova série de peças com um tempero diferente: estreias de veteranos no teatro, mas em outra função, ou seja, diretor que vira ator, dramaturgo que dirige seu primeiro espetáculo e por aí vai. A primeira montagem nesta linha é 45 Graus (acima), que traz pela primeira vez na direção do ator Marcos de Andrade, que integrou o Centro de Pesquisa Teatral do falecido Antunes Filho. A peça é baseada na novela Dócil, de Fiodor Dostoiévski. Com dramaturgia de Rogério Guarapiran, o elenco tem Anísio Serafim, Antônio Carlos de Almeida Campos, Caroline Rangel, Gustavo Trestini, Guta Magnani e Marcelo Villas Boas. Bom projeto para novas experiências ou para desistências e volta ao rumo anterior. 


IMPOSTORES NO RIO  

O Brasil após uma hecatombe nuclear é o tema do dramaturgo Gustavo Pinheiro em Os Impostores, peça que estreia no Rio de Janeiro em 31 de outubro, no teatro Ginástico. Com direção de Rodrigo Portella, foca em uma família abastada que fica refém em um bunker. Está rodeada de champanhe Cristal e latas de caviar Beluga. A situação promete. No elenco, Guilherme Piva, Carolina Pismel, Suzana Nascimento, Pri Helena, Tairone Vale, Murilo Sampaio.


3 perguntas para Andréia Horta

Atriz, é mineira

1. Peça revelação?

Livro de Jó, do Vertigem.

2. Situação inusitada?

Fazendo teatro de bonecos, depois do almoço. Vomitei atrás do pano. A boneca fica olhando para o chão, as crianças de bocas abertas.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Discreto e silencioso meu coração pararia de bater e eu morreria elegante, sentada em um trono de rainha olhando para a plateia sob um foco de luz. 

 

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