Brechó: mostra questiona crise de idéias no circuito da arte

A idéia era questionar os termos "arte" e "espaço", permitindo que diferentes suportes convivessem harmoniosamente num ateliê em funcionamento, dispostos como se fossem uma "instalação". Para isso, intervenções a partir de móveis do século passado, "transformados" ou recriados por Ely Bueno, quadros de inspiração geométrica de Stella Chaccur e desenhos em pastel seco e à óleo de Ademar Assaoka foram colocados juntos, no ateliê de Ely, para formar a exposição "Brechó". "Não existe arte sem espaço e todo espaço é questionável", afirma Ely Bueno, que tem se preocupado com a falta de propostas novas no circuito das artes ? segundo ela, nivelado por critérios econômicos.A artista plástica carioca freqüentou os ateliês de Di Cavalcanti e Samson Flexor, além de estudar gravuras com Lívio Abramo. Expôs pela primeira vez em 1951 e a partir daí participou de mostras como os Salões de Arte Moderna de São Paulo e Campinas, Museu de Arte Moderna de São Paulo, VII , VIII e IX Bienais de São Paulo , tendo obtido o ?prêmio de aquisição? na VIII Bienal . Os dez móveis transformados por Ely datam do início do século XX e receberam novas cores, concepções e texturas, com influências que remetem desde a art deco até o kitsch. A artista encontrou uma solução original para nomear suas criações, utilizando termos ou expressões que facilmente se associam às peças: "Convidado" (um cabideiro de chão que ostenta uma gravata), "Abre-te, sésamo" (uma penteadeira com dezenas de compartimentos) e "Preto no Branco" (par de cadeiras em tamanhos diferentes).Próxima da geometria desde o início de sua trajetória, Stella Chaccur, por sua vez, a utiliza não como estrutura oculta da narração, mas sim, como tema. "Traço a aventura visual do caminho das linhas, das figuras geométricas e de suas possibilidades. Não se trata apenas de registrá-las, mas de transcender para novas realidades e interpretações", resume. Com esta proposta de trabalho, apresenta seis obras em acrílico sobre tela, entre elas "Caminho Interrompido" e "Os Vermelhos".Já o designer Ademar Assaoka exibe criações em papel, em pastel seco e à óleo, com um cuidadoso tratamento de cores. Em pequenas dimensões (50cm x 50cm), adapta seus trabalhos à suportes, criando composições originais. Para Assaoka, a possibilidade de dar vazão ao processo criativo sem limitações ou "por encomenda" ? como acontece em seu trabalho como designer ? foi o motivo principal de seu ingresso nas artes plásticas.ServiçoBrechó - Ely Bueno, Stella Chaccur e Ademar AssaokaAteliê Ely Bueno ? Praça Silveira Santos, 02 ? Alto de Pinheiros (11) 3815-8425De 13 a 23 de novembro de 2003 ? Inauguração dia 13/11, às 20hDe terça a domingo, das 16h às 20hQuantidade de obras: cerca de 20 - Preços: de R$ 500 a R$ 4 mil

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