Brazilian Contemporary Arts ganha nova sede

A Brazilian Contemporary Arts, instituição sem fins lucrativos que há 25 anos leva a cultura brasileira para Londres, inaugura nesta segunda-feira sua nova sede, na Chiswick High Road. O BCA foi o primeiro a levar o atual presidente Lula para uma palestra na capital inglesa em 1984, bem como os medalhões da MPB Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa, Elza Soares, etc. Em junho, para comemorar os 25 anos de atividades, realizou o show Masters of Bossa Nova Reunion, com Marcos Valle, Wanda Sá e João Donato, uma montagem de Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, uma mostra com filmes baseados em obras de Jorge Amado, além de um festival de música ao ar livre.No entanto, segundo a diretora Edna Crepaldi, a escassez de recursos financeiros - "e até recentemente, a indiferença das autoridades brasileiras" - acarreta grandes limitações e sacrifícios pessoais para que a programação artística da organização não seja comprometida.Segundo Edna, o BCA, que tem 15 membros, entre brasileiros e britânicos, difere de outros promotores de eventos na cidade em vários aspectos, especialmente na questão financeira. "O BCA banca absolutamente todos os custos com artistas e, como em geral só trabalhamos com projetos pioneiros, temos que trazer os artistas do Brasil para apenas uma apresentação em Londres. Isso, diferentemente dos promotores comerciais que agendam os artistas quando de suas turnês pela Europa, fazendo rateio de todos os custos."Ela diz que a instituição sempre teve apoio do governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Londres, para eventos especiais e grandes festivais. "O que não conseguimos nestes 25 anos de lobbying e de trabalho ininterrupto pela cultura brasileira no Reino Unido, foi uma contrapartida (por menor que fosse) do governo brasileiro, ao subsídio que vimos recebendo do governo britânico há 23 anos. Mas felizmente isso está mudando."O atual embaixador, José Maurício Bustani, segundo Edna, tem sido um grande aliado do trabalho do BCA, bem como o ministro da Cultura, Gilberto Gil. "O que os governos anteriores alegaram é que se o orçamento da nação é demasiadamente pequeno para investir em projetos culturais dentro do País, que dirá no exterior." A ajuda do governo brasileiro é fundamental para a sobrevivência do BCA. "Depois de subvencionar a instituição por 23 anos seguidos, o governo britânico começou a achar insustentável não contarmos com o aval do Brasil ao que vimos fazendo pelo Brasil", diz Edna.Recentemente ela teve uma reunião com o prefeito de Londres, Ken Livingstone, para convencê-lo a arrendar algum edifício desativado do governo britânico, ou um terreno para a construção de um prédio moderno com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, um dos patronos do BCA. A idéia é transformar o local em atração turística. "A reunião com o prefeito foi superpositiva. Houve grande interesse à proposta da criação do Centro Brasileiro em Londres e discutiu-se a possibilidade de cessão de uma área em King´s Cross, região central da cidade. Agora, é aguardar as deliberações."

Agencia Estado,

04 de setembro de 2006 | 12h03

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